Apoio a extrema direita ofusca reformas na Holanda

O aumento do apoio a um partido de extrema direita com foco no combate à imigração fez com que a Holanda enfrente a perspectiva de uma limitada coalizão de governo com quatro partidos. O Partido de Liberdade de Geert Wilders - que quase triplicou o número de cadeiras no Parlamento de 150 integrantes, indo de nove para 24 parlamentares - deve se tornar um incômodo ao lado de qualquer coalizão governamental que surja a partir das eleições de ontem.

AE, Agência Estado

10 de junho de 2010 | 14h23

Este aumento no apoio ao Partido da Liberdade ultrapassou a maioria das previsões e deixou os principais partidos com dificuldade para forma uma coalizão. Economistas temem que isso possa significar atrasos e comprometer cortes no orçamento e reformas econômicas.

"O fato de o Partido da Liberdade, de Wilders, ter conquistado mais cadeiras do que as pesquisas de intenção de voto previam pode ser em parte explicada pela relutância dos eleitores em admitir que votariam num candidato controverso por causa de questões sociais", disse Alfred Pijpers, pesquisador político da Clingendael, o Instituto de Relações Internacionais da Holanda. O fenômeno é conhecido como efeito Bradley, uma referência a Tom Bradley, prefeito de Los Angeles que perdeu a disputa pelo governo da Califórnia em 1982, apesar de aparecer na frente nas pesquisas.

Pijpers disse também que o aumento da popularidade de Wilders pode ser atribuída a uma moderação de seu discurso nas últimas semanas de campanha. "Ele começou a sorrir mais e deixou de lado sua forte retórica anti-islâmica", disse Pijpers. Independentemente da razão que elevou o número de votos no partido, o sucesso do Partido da Liberdade complica o cenário pós-eleitoral, dizem analistas.

"Os resultados eleitorais significam que nenhuma decisão importante será tomada nos próximos meses, o que pode ser negativo", disse o analista do Royal Bank of Scotland, Mark Pieter de Boer. "No pior cenário, isso pode resultar numa coalizão com lutas internas que adiaria reformas, o que provavelmente resultaria em reeleições no prazo de um ou dois anos."

A promessa do Partido da Liberdade de proibir a entrada de muçulmanos no país, negar apoio social a outros imigrantes e introduzir um imposto pelo uso de véus islâmico ofuscou os chamados dos principais partidos para a realização de reformas orçamentárias e redução das dívidas, uma tentativa de poupar a Holanda do pior, na medida em que a crise da dívida na Europa continua.

Segundo resultados quase finais, o Partido Liberal de centro-direita de Mark Rutte e o Partido Trabalhista, de centro-esquerda, conquistaram respectivamente 31 e 30 cadeiras e são vistos como os mais prováveis para formar o centro de um governo comum. Na manhã desta quinta-feira, tudo dava a entender que Rutte seria o líder do partido que tenta formar um governo, enquanto os liberais se tornam o maior grupo pela primeira vez na história da Holanda. Na legislatura anterior, o Partido Liberal tinha 22 assentos enquanto o Trabalhista tinha 33.

O primeiro-ministro interino Jan Peter Balkenende renunciou na noite de ontem depois que seu partido, o Democrata Cristão, perdeu 20 de suas 41 cadeiras. O governo anterior, uma coalizão de três partidos de centro e de esquerda, caiu em fevereiro após um desentendimento interno sobre o envio de forças holandesas para o Afeganistão.

Após o resultado da eleição, a coalizão mais provável deve combinar um difícil agrupamento de quatro partidos com os liberais de Rutte se unindo ao trio de centro-esquerda formado por trabalhistas, Liberais Democratas e Verdes. A maioria dos partidos principais, exceto os Liberais, descartaram a entrada de Wilders e de seu Partido da Liberdade no novo governo. As informações são da Dow Jones.

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