Apoio a Obama contra o EI

Esqueçam prazos e condições para luta, o presidente deve ter aval até de rivais políticos

MARCO, RUBIO, THE WASHINGTON POST, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2014 | 02h02

É mais do que evidente que o esforço americano para derrotar o EI foi inadequado. Meias medidas não funcionam contra a crescente ameaça dos islamistas radicais que conseguiram aglutinar grupos terroristas fragmentados de todo o mundo sob uma bandeira.

Nos últimos seis meses, enquanto o governo Barack Obama continuava elaborando sua estratégia para derrotar o grupo, nossos inimigos não ficaram parados. O EI agora se estende do Norte da África ao Oriente Médio, Paquistão, Sul da Ásia, e Sudeste Asiático. Em razão da ausência de um governo e de seus enormes estoques de armas, a Líbia tornou-se um refúgio para terroristas particularmente cruéis, graças ao qual o EI pode ampliar seu mapa, ganhar força e planejar o ataque contra a Europa e Os EUA.

Esta semana, a Comissão de Relações Exteriores do Senado debateu uma autorização para o uso da força militar contra o EI. Mas em vez de dar ao presidente instrumentos de que ele precisa para ganhar a luta, um grande número de senadores parece mais preocupado em dizer a ele o que ele não deve fazer.

Eles estão convencidos de que o país deve estabelecer condições quanto ao tipo de força a ser usada ou impor um prazo para se chegar à vitória.

Enquanto isso, a ameaça cresce. Além dos americanos que já foram brutalmente assassinados por seus membros, o EI aperfeiçoa sua capacidade de atingir os civis em ataques perpetrados por "lobos solitários" na Europa e nos EUA. Sua constante expansão no Oriente Médio é alarmante. É imperativo que os EUA e os seus parceiros europeus e árabes se unam para deter a ameaça antes que avance ainda mais.

Enquanto a frente atual está no Iraque e na Síria, o EI explora vastos espaços onde não existe um governo, na Líbia e em outros países do Norte da África. Assim que o EI estabelece o controle de uma cidade ou território, como em Darnah, na Líbia, o lugar é declarado parte do seu califado e então é estabelecido um tribunal islâmico, uma força policial e um governo. Frequentemente, o EI realiza fóruns públicos nos quais a população local deve prometer a ele o seu apoio e apresentar-se como voluntária para combater na Síria. Os grupos locais que aderem ao movimento logo adotam sua selvageria e começam a degolar e a perpetrar todo tipo de atos bárbaros para provar lealdade.

A tática do governo continua apresentando significativos hiatos. Qualquer esforço bem-sucedido contra o EI deve prever um plano para derrubar o ditador sírio, Bashar Assad. Não podemos mais permitir que o regime sírio se beneficie com os ataques americanos contra o EI. Até o momento, as ações dos EUA na Síria minaram a credibilidade entre o povo que terão de colocar no poder na Síria depois de Assad.

A coalizão deve tratar rapidamente de estabelecer uma zona-tampão ao longo da fronteira com a Turquia e implementar uma zona de exclusão aérea para os aviões de Assad em algumas partes do país. Também deve intensificar esforços para fazer frente à agitação na Líbia antes que o vácuo crie raízes nesse país, como aconteceu na Síria. Para tanto, os EUA precisam ampliar as operações de combate ao terrorismo nas áreas em que o EI cresce.

Além disso, o Exército americano deveria intensificar o treinamento e a capacitação dos governos. O fato de não ter fornecido um suporte adequado ao governo que surgia na Líbia depois da derrubada de Muamar Kadafi, em 2011, foi um erro determinante do governo Obama.

O futuro secretário da Defesa precisará pressionar os militares americanos para que implementem uma estratégia que leve à vitória contra o EI, insistindo com os parceiros na Europa e no Oriente Médio para que também intensifiquem seus esforços e aumentem os número de efetivos nesta luta. Os EUA precisarão agir rapidamente para pressionar ainda mais Assad ou correrão o risco de fragmentar a coalizão se os parceiros se cansarem da resposta lenta.

São essas as questões centrais, não um prazo para a guerra acabar ou que tipo de força se usará para vencer. Está na hora de os membros do Congresso darem ao presidente flexibilidade e autoridade para garantir a segurança dos EUA, não fazê-lo ficar de mãos ainda mais amarradas. O sucesso dessa batalha; a segurança e a tranquilidade dos americanos estão em jogo. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

É SENADOR REPUBLICANO E REPRESENTA A FLÓRIDA NO SENADO AMERICANO

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