ESTEBAN COLLAZO / Argentina's Presidency Press Office / AFP
ESTEBAN COLLAZO / Argentina's Presidency Press Office / AFP

Apoio ao chavismo divide governo da Argentina

Presidente orienta chanceler a votar a favor de relatório da ONU que critica Venezuela e embaixadora em Moscou apresenta renúncia

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de outubro de 2020 | 03h30

BUENOS AIRES - A mudança de posição com relação à Venezuela motivou o primeiro curto-circuito na frente que governa a Argentina. O presidente Alberto Fernández, que assumiu em dezembro, tendo como vice a ex-presidente Cristina Kirchner, se aliou a setores moderados e instruiu sua chancelaria a votar em favor do relatório da alta-comissária da ONU para os direitos humanos, Michelle Bachelet, que condena o regime chavista.

A chancelaria argentina expressou, em comunicado, que o governo de Nicolás Maduro deve atender ao pedido da alta-comissária “para conduzir investigações rápidas, completas, independentes, imparciais e transparentes sobre as alegações de violações dos direitos humanos, levar os responsáveis à Justiça e garantir a reparação adequada às vítimas”.

A virada diplomática do governo em relação ao tradicional apoio à Venezuela que o kirchnerismo manteve durante o governo de Cristina (2007-2015) teve como primeira consequência a renúncia da embaixadora da Argentina na Rússia, Alicia Castro, diplomata ligada à ex-presidente. “Quero apresentar minha renúncia como embaixadora, pois não concordo com a atual política de relações exteriores”, disse Castro, em carta que ela tornou pública.

A diplomata, que foi embaixadora do país no Reino Unido e na Venezuela durante o último governo de Cristina, acrescentou que “o voto da Argentina acompanhando a resolução do Grupo Lima constitui uma reviravolta dramática na política externa e não difere do que teria sido o voto do governo de (Mauricio) Macri”, que foi um duro crítico de Maduro durante seu governo (2015-2019).

Outros líderes ligados a Cristina também lamentaram o voto argentino no Conselho de Direitos Humanos da ONU. “Quero pedir desculpas ao povo da Venezuela e a Maduro e também a (Hugo) Chávez, que nos deu uma mão quando ninguém nos deu nada”, disse Hebe de Bonafini, líder das Mães da Praça de Maio, em declarações a uma rádio. 

“Estou envergonhada com o que fizeram ontem. Envergonhada do chanceler (Felipe Solá). É uma pessoa que não sabe onde está ou o quem está representando. Perdão Maduro, perdão povo venezuelano pelo que o chanceler fez, perdão em nome das Mães da Praça de Maio e de milhões de argentinos que estão envergonhados de ter este chanceler. Mil vezes perdão.” 

Fernández e Cristina não se pronunciaram sobre a votação. Durante a campanha, o presidente argentino tentou algumas vezes reafirmar sua independência com relação à ex-presidente, em resposta aos ataques do grupo de Macri, que o acusava de ser submisso ao kirchnerismo. / AP

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