Apoio da OEA a Zelaya leva oposição venezuelana a pressionar entidade

Governadores antichavistas exigem a mesma rapidez na condenação de outros ataques à democracia

AP, EFE e AFP, O Estadao de S.Paulo

16 de julho de 2009 | 00h00

Depois da rápida resposta da Organização dos Estados Americanos (OEA) e dos países da região ao golpe de Estado em Honduras, a oposição venezuelana está se organizando para exigir a mesma ênfase na reação às "graves violações aos princípios democráticos" em seu país. O prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, e três outros governadores de oposição viajarão a Washington no dia 21 para denunciar para o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, a diminuição de suas atribuições pelo presidente Hugo Chávez e as constantes ameaças à imprensa venezuelana. Ontem, a cúpula da oposição se reuniu para decidir como pressionar autoridades de outros países. Ela reclama que, embora seja eficiente para condenar golpes e "ataques tradicionais à democracia", a comunidade internacional tem evitado repreender governos que subvertem princípios como a separação de poderes e a liberdade de expressão. "Vamos para a OEA para reclamar da absoluta indiferença em relação ao que está acontecendo no nosso país", disse o governador do Estado de Táchira, César Pérez Vivas. "Levaremos as provas dessa escalada autoritária. Queremos despertar um debate político e tirar a máscara de um governo que não respeita o povo nem a Constituição." A reunião ocorreu horas depois de uma delegacia de polícia do Estado de Miranda ser tomada por cerca de 40 integrantes da Guarda Nacional na cidade de Curiepe, ao leste de Caracas. Os soldados usaram bombas de gás lacrimogêneo para tirar os policiais do edifício e, segundo Adriana D?Elia, secretária do governo de Miranda, atiraram balas de borracha em um grupo que protestou contra a ação. Seis pessoas ficaram feridas.Desde que as eleições regionais de novembro, quando opositores venceram em cinco Estados e nas duas principais cidades venezuelanas, Chávez vem esvaziando, por meio de decretos e leis, o poder dos governos locais. O controle de unidades policiais, escolas, hospitais e outros serviços públicos foi passado de Estados e prefeituras para o governo central. Chávez também ordenou a tomada de portos e aeroportos e na Justiça do país foi aberta uma série de processos contra opositores. O governador eleito de Zulia, Manuel Rosales, por exemplo, teve de fugir para o Peru para não ser preso por sonegação. São essas medidas que a oposição pretende denunciar em Washington. CRITÉRIO DUPLOHonduras foi suspensa da OEA apenas seis dias depois de os militares expulsarem o presidente Manuel Zelaya do país. Outros países e entidades também anunciaram sanções contra o governo de facto de Honduras: os EUA cortaram a cooperação militar e financeira com o país; o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento, créditos de US$ 200 milhões; e líderes do mundo todo se recusaram a reconhecer o novo governo. A oposição venezuelana reclama que a comunidade internacional também deveria considerar os "atos inconstitucionais" de Zelaya - que queria uma consulta popular sobre a reeleição.

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