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Apoio do Egito é crucial para impedir que o Hamas se rearme

Grupo consegue armamento por túneis na fronteira; Mubarak teme laços com Irmandade Muçulmana

Gustavo Chacra, JERUSALÉM, O Estadao de S.Paulo

08 de janeiro de 2009 | 00h00

As armas do Hamas entram na Faixa de Gaza por túneis que ligam o território palestino com o Egito, segundo o Exército de Israel. Para que um cessar-fogo funcione, dizem os israelenses, teria de ser criada uma fórmula que impeça que esse contrabando de armamento continue. Sem colocar a culpa no governo do presidente egípcio, Hosni Mubarak, que tem sido um aliado leal no atual confronto na Faixa de Gaza, Israel sente que o país vizinho poderia se esforçar mais para evitar a entrada de armas e acha necessário que forças internacionais contribuam para a segurança da fronteira no lado palestino.A linha que separa a Faixa de Gaza do Egito tem pouco mais de dez quilômetros. Mas essa fronteira está fechada desde que o Hamas derrotou as forças do Fatah na disputa pelo poder nesse território palestino em meados de 2007. O Egito não reconhece a autoridade do grupo islâmico e tampouco abrirá a passagem de Rafah enquanto não houver uma força internacional do outro lado - adotando a mesma posição de Israel. O analista Amr Hamzawy afirmou em debate no Carnegie Endowment For Peace, em Beirute, que essa posição se deve em parte por acordos internacionais assinados pelo Egito, que impedem o país de abrir a fronteira se a Autoridade Palestina não estiver no poder.Os egípcios argumentam que têm feito o suficiente para controlar a construção dos túneis do seu lado da passagem de Rafah. Além disso, afirmam que a maior parte do armamento chega a Gaza em barcos, burlando o controle marítimo do território, que é dos israelenses.QUESTÕES INTERNASA questão da fronteira com Gaza é delicada internamente para Mubarak. O presidente egípcio enfrenta a oposição do grupo Irmandade Muçulmana, que tem se fortalecido com o conflito entre Israel e o Hamas, segundo Hani Sabra, um analista egípcio-americano da consultoria de risco político Eurasia, em Nova York. Esse fortalecimento, porém, não é suficiente para ameaçar as estruturas do autoritário governo de Mubarak."A Irmandade Muçulmana organiza protestos contra Israel, mas evita uma retórica antigoverno. Trata-se de uma organização civil desarmada que não pretende se envolver em atos violentos", diz Sabra. Os egípcios temem que o caráter pacífico da organização se altere se o contato com o Hamas aumentar. A Irmandade, que exerceu enorme influência em todo o mundo árabe no século 20, inspirou a criação do grupo palestino. A opinião pública no Cairo, segundo Sabra, é a favor dos palestinos. Mas ninguém colocará em xeque a autoridade de Mubarak neste momento. "Os serviços de segurança são fiéis ao presidente. Qualquer tentativa de ir contra ele fracassará", afirma Sabra. Segundo o analista, os serviços de inteligência, apesar de ideologicamente próximos dos palestinos, consideram o Hamas responsável pelo atual conflito em Gaza.Boa parte da população também teme que uma abertura sem restrições da fronteira leve a um descontrolado fluxo de palestinos para o Egito num momento de crise econômica. Além disso, os egípcios tampouco estariam disposto a assumir os riscos de controlar a Faixa de Gaza, considerado um dos territórios mais problemáticos da região.

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