Apoio dos EUA a grupo pró-Venezuela ainda é vago

O governo americano reiterou apoio e interesse em participar do esforço para ajudar a missão do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), César Gaviria, de buscar uma solução negociada para a crise na Venezuela. Mas o porta-voz do Departamento de Estado, Richard Boucher, foi vago em relação ao apoio americano à formação de um "grupo de países amigos" da Venezuela, que emergiu como a primeira iniciativa diplomática do presidente Luiz Inácio Lula da Silva."Os EUA têm estado muito ativos junto ao governo, à oposição e à sociedade civil na Venezuela, tentando encorajar as pessoas a chegarem a um acordo, uma solução política, e nós acreditamos que devemos continuar a fazer isso com qualquer grupo que seja formado", disse Boucher. A idéia do grupo de apoio partiu do próprio Hugo Chávez e foi transmitida primeiro ao assessor internacional do Planalto, Marco Aurélio Garcia, na visita que este fez a Caracas, em dezembro, a pedido de Lula. A iniciativa acabou gerando divergências com os EUA e outros países depois que Chávez, de volta a Caracas, concluiu que já não estava mais sob pressão internacional para chegar a um entendimento com a oposição.O próprio Gaviria concluiu que seu trabalho de mediação poderia ser comprometido se a iniciativa fosse levada adiante da forma como concebida originalmente. Além disso, em sua versão original, a proposta de criação do grupo incluía, a pedido do líder venezuelano, países como a Rússia e a França.Na semana passada, as divergências sobre o formato e o objetivo do grupo de países foram discutidas entre Brasília e Washington numa série de encontros que culminou com telefonemas do chanceler Celso Amorim ao secretário de Estado Colin Powell e a Gaviria, conforme o Estado antecipou na sexta-feira e sábado.O governo americano comunicou ao governo brasileiro que não estava preocupado com a paternidade da iniciativa, desde que não houvesse dúvida de que apenas países do hemisfério, com a possível exceção da Espanha, integrariam o esforço para apoiar a missão do secretário-geral da OEA. Os líderes da oposição venezuelana não querem ver o Brasil no grupo porque vêem na participação brasileira um gesto de apoio a Chávez. Antes do início das consultas de hoje, em Quito, Brasil, EUA, México, Peru, Colômbia e Espanha eram os países citados em Washington como os possíveis participantes.Fonte diplomática americana disse que, qualquer que seja a decisão tomada em Quito, Chávez ou seus opositores não devem esperar apoio do grupo de países que respaldará Gaviria. "A idéia é que todos trabalhem em favor de um processo negociado, que produza uma solução constitucional, politicamente sustentável e consistente com a Carta Democrática da OEA", disse a fonte.

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