Apoio dos EUA a Kosovo independente é ultrajante, diz premiê

Chefe de governo afirma ainda que jamais reconhecerá independência da província

Agencia Estado

15 Junho 2007 | 02h48

O primeiro-ministro da Sérvia, Vojislav Kostunica, disse nesta segunda-feira, 11, que seu governo se sentiu insultado com as palavras de apoio do presidente dos EUA, George W. Bush, à independência de Kosovo. Em visita a Albânia no domingo, 10, o presidente americano disse ser favorável ao fim do controle sérvio sobre a província - que tem maioria albanesa -, e garantiu que Washington reconhecerá unilateralmente esse status caso a comunidade internacional não faça o mesmo. As palavras de Bush repercutiram como uma dura mensagem ao governo da Sérvia, uma vez que a questão encontra-se em discussão no Conselho de Segurança da ONU. O enviado do órgão ao território em disputa defende que seja dada independência limitada a Kosovo, que ficaria sob supervisão internacional. Em discurso transmitido nesta segunda-feira em rede nacional, entretanto, Kostunica atacou o apoio americano à separação da Sérvia. "A América deve encontrar outro caminho para mostrar sua afeição e amor pelos albaneses, sem oferecer a eles territórios sérvios", disse Kostunica, acrescentando que "a Sérvia está ultrajada com a política americana na questão de Kosovo". Kostunica reforçou ainda que os sérvios jamais reconhecerão qualquer forma de independência da província. EUA x Rússia O presidente americano declarou no domingo que a ONU deveria conceder a independência em curto prazo a Kosovo. A questão, que está na pauta do Conselho de Segurança, é um novo ponto de atrito entre os governos dos Estados Unidos e da Rússia - ambos países com pode de veto no órgão. A posição russa tem como objetivo não permitir que uma eventual independência de Kosovo abra um precedente para que a região separatista da Chechênia exija status semelhante. De maioria muçulmana - assim como Kosovo -, a Chechênia vive há anos em meio a um conflito sangrento pela separação da Rússia. "Em algum momento - antes cedo do que tarde - será preciso dar um basta nessa questão e dizer que Kosovo é independente", disse Bush durante coletiva de imprensa concedida na primeira visita de um presidente americano à Albânia. Bush disse ainda estar "preocupado com o fato de as expectativas não estarem sendo satisfeitas" em Kosovo, onde 90% dos habitantes são albaneses étnicos. A Otan lidera um contingente de manutenção da paz composto de 17 mil soldados na região. Nesta segunda, durante visita a Bulgária, o presidente americano prometeu à Sérvia melhores relações com o país e mencionou a possibilidade de que este faça parte da Otan e da União Européia (UE) caso aceite a independência do Kosovo. Kosovo é administrada pela ONU e a Otan desde 1999, quando as forças ocidentais bombardearam a Sérvia durante 11 semanas para interromper a brutal repressão do regime de Slobodan Milosevic a uma insurgência da população de etnia albanesa de Kosovo. Nesse episódio, estima-se que as forças sérvias mataram cerca de 10 mil civis e expulsaram quase 1 milhão. Tutela internacional A Comissão Européia (CE, órgão executivo da União Européia) ressaltou nesta segunda que o estatuto final da província sérvia do Kosovo deve ser definido no Conselho de Segurança das Nações Unidas, onde, segundo o organismo, há atualmente "conversas em andamento". Foi assim que o Executivo da UE reagiu às palavras de Bush, que também garantiu que Washington reconhecerá unilateralmente a independência do Kosovo caso não haja acordo na ONU. "Não quero fazer conjeturas. A decisão sobre o estatuto futuro do Kosovo deve acontecer no Conselho de Segurança da ONU, onde as discussões estão em andamento", afirmou a porta-voz de Ampliação da CE, Krisztina Nagy. Segundo a porta-voz, Bruxelas espera uma solução "política e legalmente clara", "sem atrasos desnecessários", e baseada na proposta do mediador internacional, o finlandês Martti Ahtisaari, que coloca a independência do Kosovo sob controle internacional. A proposta de Ahtisaari tem a simpatia da UE e dos EUA, mas é rejeitada pela Rússia e pela própria Sérvia, que criaram uma frente comum para impedir a secessão da província. Apesar das perguntas dos jornalistas, a porta-voz não quis avaliar se as declarações de Bush em Tirana foram ou não oportunas no atual estado do debate. Título e texto alterados às 16h49

Mais conteúdo sobre:
Kosovo Vojislav Kostunica Sérvia Otan

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.