Nikolai Petrov/EFE
Nikolai Petrov/EFE

Lukashenko é reeleito e fala em 'ameaça de guerra civil' na Bielo-Rússia

Conhecido como 'último ditador da Europa', presidente diz que as manifestações serão reprimidas e ele não permitirá que o país seja arrastado para o caos

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2020 | 07h00
Atualizado 10 de agosto de 2020 | 19h08

MINSK - O presidente da Bielo-Rússia, Alexander Lukashenko, no poder há 26 anos, foi reeleito no domingo 9 para um sexto mandato com 80% dos votos, segundo resultados oficiais. Sua principal rival, Svetlana Tikhanouskaya, cuja campanha deu novo impulso ao movimento de oposição no país, obteve 9,9%. Os resultados foram contestados pela oposição e Svetlana, de 37 anos, declarou que Lukashenko deve ceder o poder.

Novos confrontos foram registrados nesta segunda-feira, 10, entre manifestantes e a polícia, que bloqueou ruas e deteve dezenas de pessoas. Lukashenko disse que as manifestações serão reprimidas e ele não permitirá que a Bielo-Rússia seja arrastada para o caos e uma guerra civil. As eleições na Bielo-Rússia, uma ex-república soviética, não são acompanhadas por observadores internacionais desde 1994, quando Lukashenko foi eleito pela primeira vez.

A Casa Branca disse nesta segunda estar “profundamente preocupada” com as eleições na Bielo-Rússia. “A intimidação dos candidatos de oposição e a detenção de manifestantes pacíficos” foram alguns dos numerosos fatores que “afetaram o processo”, disse a secretária de imprensa do presidente Donald Trump, Kayleigh McEnany. “Pedimos ao governo bielo-russo que respeite o direito de reunir-se pacificamente e se abstenha de usar a força.” A União Europeia condenou o uso da força.

Lukashenko intensificou nas últimas semanas seus esforços para conter o avanço de Svetlana, sua principal rival, ao denunciar um complô com a cumplicidade do Kremlin para provocar sua queda. Svetlana foi escolhida para concorrer depois que as autoridades impuseram forte repressão contra figuras da oposição, incluindo seu marido, o popular youtuber Siarhei Tikhanovski. Ele foi preso no fim de maio e impedido de concorrer.

O mesmo ocorreu com Viktor Babariko, um empresário membro da elite, detido desde junho acusado de fraudes fiscais. Um terceiro opositor viável, Valeri Tsepkalo, fugiu para a Rússia no mês passado para evitar o mesmo destino.

Vários países europeus, incluindo a Alemanha, criticaram o processo eleitoral na Bielo-Rússia que excluiu dois dos principais candidatos da oposição.

Os eventos têm sido acompanhados de perto pela Rússia, cujas exportações de petróleo para o Ocidente passam pela Bielo-Rússia e que Moscou considera uma zona-tampão contra a Otan e o Ocidente, que já tentou tirar o governo bielo-russo da órbita do Kremlin.

Nas semanas anteriores à eleição, protestos foram violentamente reprimidos pela polícia e centenas de manifestantes e ativistas foram presos. Pelo menos 19 jornalistas europeus também foram detidos.

 Apesar de Lukashenko, chamado de “o último ditador da Europa”, ter sido reeleito, analistas dizem que o homem forte pode enfrentar uma nova onda de protestos por causa de sua gestão da pandemia de coronavírus, a crise econômica e os abusos dos direitos humanos.

A Bielo-Rússia, um país de 9,5 milhões de habitantes, tem oficialmente mais de 68 mil casos de covid-19 e cerca de 580 mortes. Críticos afirmam que os números foram manipulados e que a situação real é bem pior. Lukashenko anunciou no mês passado que foi infectado pelo novo coronavírus, mas não apresentou sintomas. Ele defende sua gestão da pandemia e afirma que um lockdown teria piorado ainda mais a situação econômica. / AFP, REUTERS e NYT

 

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