Após 1 ano, Irã e potências voltarão à mesa de diálogo

Encontro sobre programa nuclear iraniano ocorrerá em Genebra a partir do dia 10; europeus exigem 'seriedade' e 'substância'

AP, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2010 | 00h00

O Irã voltará a negociar, a partir do dia 10, seu programa nuclear com as cinco potências do Conselho de Segurança da ONU (EUA, Rússia, China, Grã-Bretanha e França) e Alemanha. Conversas de bastidores já indicavam que o diálogo seria retomado, mas ontem a número 1 da diplomacia da União Europeia (UE), Catherine Ashton, confirmou a informação.

A reunião de Teerã e o chamado "P5+1" ocorreu há um ano. Em maio, o Brasil e a Turquia chegaram a um acordo com o Irã para troca de urânio por material nuclear, mas americanos e europeus não aceitaram os termos do pacto. Em junho, o Conselho de Segurança da ONU aprovou - sob oposição de brasileiros e turcos - uma quarta rodada de sanções a Teerã.

Ashton revelou ontem ter recebido uma carta do chefe da agência nuclear iraniana, Saeed Jalili, na qual ele afirma concordar com um encontro "em um lugar e data conveniente aos dois lados", a partir do dia 10. "É uma ação muito significativa (do Irã)", disse a funcionária de Bruxelas a jornalistas. Segundo diplomatas europeus, o encontro deverá ocorrer em Genebra.

Diálogo "sério". Países de peso do bloco europeu, entretanto, mantiveram um tom cauteloso. "A questão-chave é se essas discussões terão substância. Será esse o critério com o qual os participantes serão avaliados", afirmou o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Guido Westerwelle.

"Esse diálogo deve ser sobre questões sérias que preocupam a comunidade internacional", alertou o porta-voz da diplomacia francesa, Bernard Valero.

A TV estatal iraniana confirmou que Jalili enviou a carta à Ashton concordando em negociar. No entanto, Teerã teria colocado uma precondição para discutir seu programa nuclear: "Esclarecimentos sobre o ambíguo programa atômico de Israel."

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