Goran Tomasevic/Reuters
Goran Tomasevic/Reuters

Após 10 anos da invasão, Iraque vive ódio sectário

Divisão entre facções domina cena política e, sem ocupação dos EUA, violência cresce

Guilherme Russo, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2013 | 02h07

A invasão americana ao Iraque, em março de 2003, e a consequente queda de Saddam Hussein causaram um aumento na violência sectária - entre sunitas, xiitas e curdos - no país do Oriente Médio. Em 2006, 34 mil civis morreram em ataques do tipo. Depois de uma diminuição e uma relativa estabilidade nesse índice, porém, que coincidiu com os últimos anos da presença dos EUA, as mortes em atentados voltaram a aumentar.

De acordo com registros do Iraq Body Count (IBC), entidade que reúne dados a respeito de mortes violentas ocorridas no território iraquiano após a ocupação americana, que na quarta-feira completa dez anos, 4.571 pessoas foram mortas no país em 2012, em 2.059 ataques a bomba ou tiroteios. O último contingente militar dos EUA deixou o Iraque em 18 de dezembro de 2011, quase dois anos e meio após o início da retirada.

O IBC afirma que, desde 2009, os números da violência sectária vinham caindo. Em 2010 e 2011, segundo a organização, esse índice ficou "quase idêntico" - pouco mais de 4,1 mil pessoas foram mortas em ações do tipo. Alvo principalmente de insurgentes sunitas contrários ao governo - dirigido atualmente por uma coalizão entre xiitas, que representam a maior parte da população, e curdos -, integrantes das forças de segurança do país estão entre as principais vítimas dos ataques.

Segundo o IBC, houve uma elevação de 20,5% nas mortes de policiais iraquianos em 2012 em relação a 2011. No ano passado, 939 agentes foram mortos - e 724 morreram no período anterior, quando 17,5% de aumento nesse tipo de ocorrência havia sido registrado.

Em 2012, 43% das ações violentas no Iraque foram registradas nas províncias de Bagdá, onde a divisão sectária se dá principalmente entre sunitas e xiitas - e 1.098 mortes ocorreram no ano passado -, e Nineveh, no norte do país, cujo controle da capital, Mossul, é disputado ainda por pelos curdos.

Na Província de Diyala, porém, o índice relativo de mortes causadas por violência foi o maior do país: 38,8 a cada 100 mil habitantes - 560 pessoas foram mortas na região em 2012.

Ódio. A maioria dos atentados ocorridos no Iraque desde a retirada dos EUA é atribuída a insurgentes sunitas em busca de desestabilizar o governo do premiê xiita, Nuri al-Maliki. Analistas políticos afirmam que, nos últimos meses, os militantes sunitas - cujo principal líder a participar do governo, o vice-presidente Tariq al-Hashemi fugiu do país após ser acusado, no fim de 2011, de comandar esquadrões assassinos - têm se articulado mais nesse sentido.

Recentemente, sunitas têm protestado contra o governo em várias cidades. Na sexta-feira, manifestantes e a polícia - cujos integrantes sunitas são considerados traidores pelos mais radicais da própria facção - entraram em confronto em Bagdá. As autoridades restringiam o acesso dos sunitas a uma mesquita dessa vertente do Islã na capital.

As opiniões os atores da violência sectária no Iraque, porém, divergem. Alguns analistas, dizem que os xiitas, interessados em mostrar a importância de seu governo central, buscariam trazer caos ao país.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.