REUTERS/Stringer
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Após 10 semanas de protestos, polícia bielo-russa ameaça usar munição letal em atos

País liderado por Alexander Lukashenko há 26 anos enfrenta protestos ininterruptos desde o início de agosto após eleições consideradas fraudadas e repressão brutal contra manifestantes

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de outubro de 2020 | 15h29

MINSK - A polícia da Bielo-Rússia ameaçou nesta segunda-feira, 12, usar armas de munição letal para conter o movimento de protesto no país que já dura mais de 10 semanas. A ação ocorre no mesmo dia em que a União Europeia se aproxima de um acordo para aplicar sanções ao presidente Alexander Lukashenko pela repressão ao movimento de oposição e pela fraude nas eleições.

Afirmando que após a última manifestação semanal de domingo contra Lukashenko os protestos se tornaram "organizados e extremamente radicais", o Ministério bielorrusso do Interior anunciou que as forças de segurança "usarão, se necessário, equipamento especial e armas de combate".

O governo bielo-russo enfrenta grandes manifestações semanais denunciando os resultados das eleições presidenciais de 9 de agosto. A vitória nas urnas é reivindicada por Lukashenko, que governa com mãos de ferro a ex-república soviética há 26 anos.

A União Europeia anunciou nesta segunda que está pronta para adotar sanções contra Lukashenko, de 66 anos, além de "entidades e funcionários do alto escalão" de seu regime, bem como membros de sua família e juízes. As sanções consistiriam em "proibição de viagens e congelamento de bens das pessoas responsáveis por fraudes na eleição presidencial e na repressão violenta de manifestações pacíficas", segundo o Conselho da UE.

A UE já aplicou sanções a 40 autoridades bielorrussas, incluindo o ministro do Interior e seu vice, e também rejeitou os resultados das eleições de 9 de agosto.

No domingo, a polícia reprimiu violentamente uma grande manifestação da oposição em Minsk usando canhões d'água e bombas de efeito moral contra a multidão. Foi a intervenção mais brutal em semanas. Cerca de 600 manifestantes foram detidos, de acordo com o grupo dos direitos humanos Viasna.

Em um vídeo postado no YouTube, o vice-ministro do Interior, Gennadi Kazakevich, denunciou "o lançamento de pedras, garrafas e facas" contra as tropas de choque, bem como "barricadas e incêndios" nas ruas de Minsk.

"Não enfrentamos apenas agressões, mas grupos de combatentes radicais, anarquistas e torcidas organizadas", disse ele, considerando que o movimento de protesto "está desaparecendo gradualmente". A polícia bielo-russa já havia disparado balas letais no início de agosto durante os primeiros protestos reprimidos à força em Brest, importante cidade no sul do país.

À época, um manifestante morreu. As autoridades asseguraram que a polícia estava se defendendo de um grupo "agressivo" armado com barras de metal. A versão é questionada pela mídia independente local. Nesta segunda, uma manifestação reuniu centenas de aposentados em Minsk e em outras cidades, onde se destacaram as cores vermelha e branca da oposição. Segundo a mídia local, vários jornalistas foram presos.

Repressão brutal

Desde o início dos protestos, centenas de manifestantes, líderes de movimentos políticos, organizações sindicais e jornalistas foram presos. Quase todas as figuras da oposição estão detidas ou exiladas. Na semana passada, as autoridades revogaram os credenciamentos da mídia estrangeira.

Além disso, dois empresários com laços com a oposição foram libertados e colocados em prisão domiciliar após uma visita surpresa do presidente Lukashenko a uma prisão no sábado. Segundo este último, ele discutiu com alguns de seus críticos uma reforma da Constituição, que deve fornecer uma solução para a crise no país.

Ao mesmo tempo, Lukashenko, que conta com o apoio do presidente russo, Vladimir Putin, acusa os países ocidentais de incentivarem os protestos contra ele. / AFP

 

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