Após 15 anos, guerrilha Tâmil admite assassinato de Rajiv Gandhi

Os Tigres de Libertação da Pátria Tâmil (LTTE), guerrilha rebelde do Sri Lanka, reconheceram pela primeira vez ter cometido o assassinato de Rajiv Gandhi, ex-primeiro-ministro da Índia, em 1991, e lamentaram o crime. Numa entrevista à rede de televisão NDTV, o principal negociador do LTTE, Anton Balasingham, definiuou o assassinato de Gandhi de "tragédia monumental"."Estávamos numa guerra de guerrilha de dois anos contra o Exército indiano e depois contra os cingaleses. Chegamos a um acordo com o Sri Lanka e conseguimos a retirada das tropas indianas nos anos 90. Depois disso, veio o assassinato de Rajiv Gandhi", disse Balasingham.A Índia já tinha responsabilizado o LTTE pelo assassinato. Mas as declarações de Balasingham são a primeira confissão aberta do crime, cometido por uma terrorista suicida.O líder rebelde disse que o grupo "lamenta profundamente" o ato. Depois, pediu ao governo indiano que "seja generoso e esqueça o passado" para "discutir a questão étnica por outra perspectiva". Balasingham pediu uma participação ativa do governo indiano no atual conflito do Sri Lanka. Ele defendeu uma intervenção diplomática, em vez de militar."Isso ajudaria a proteger nosso povo das operações genocidas das Forças Armadas cingalesas e também ajudaria as duas partes a buscar uma solução negociada", disse. "A Índia permaneceu calada e distante nos últimos 15 anos. Agora a violência está de volta e a possibilidade de uma guerra existe. Por isso, a Índia não pode continuar calada", concluiu.

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