Após 15 dias, Japão liberta capitão de barco chinês

Pesqueiro tinha colidido com duas embarcações em águas disputadas com a China

24 de setembro de 2010 | 04h51

TÓQUIO - O Japão libertou nesta sexta-feira, 24, o capitão de um barco pesqueiro chinês detido há quinze dias após colidir com duas embarcações das patrulhas japonesas em águas disputadas pelos dois países, em fato que fez aumentar a tensão entre os dois países, informou a agência japonesa Kyodo.

Por conta da detenção, o governo chinês tinha suspendido os contatos de alto nível com Tóquio e exigido a libertação do capitão, Zhang Quixiong, de forma "imediata e incondicional".

Fontes da Justiça japonesa ouvidas pela Kyodo indicaram que Zhang foi libertado "em consideração" aos laços entre China e Japão.

No entanto, detalharam que, apesar disso, afirmam que é "óbvio" que o barco chinês colidiu de forma deliberada no último dia 7 com as embarcações patrulhas japonesas, que perseguiam o pesqueiro para abordá-lo e interrogar a tripulação.

Entretanto, também reconheceram que não foi um ato "premeditado", mas determinado pela situação do momento.

O capitão, por sua vez, negou ter obstruído as operações dos guardas japoneses, o motivo alegado pelas autoridades do Japão para sua detenção, segundo a Kyodo.

O incidente aconteceu em águas das disputadas ilhas Senkaku (Diaoyu, em chinês), uma região reivindicada por China, Japão e Taiwan e rica em jazidas de gás.

O incidente deu início a forte tensão entre Tóquio e Pequim, que apresentou vários protestos perante o embaixador japonês na China e chegou a levar o conflito a Nova York, onde esta semana acontece a Assembleia Geral das Nações Unidas.

O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, insistiu nesta quarta-feira na exigência de libertação imediata de Zhang e advertiu, em um encontro com a comunidade sino-americana em Nova York, que se o Japão insistisse "em seu erro", a China tomaria "novas medidas".

Além disso, Pequim informou nesta sexta a Tóquio que na última segunda deteve quatro japoneses e os está interrogando por suposta entrada ilegal em uma zona militar para gravar imagens, o que acrescentou mais tensão à difícil situação diplomática.

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