Olivier Douliery / AFP
Olivier Douliery / AFP

Após 18 anos de guerra, EUA e Taleban vão assinar acordo de paz

Acordo deve ser assinado em Doha, no Catar, em 29 de fevereiro; grupo extremista do Afeganistão disse que 'não se trata de um cessar-fogo'

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2020 | 10h49

CABUL - Os Estados Unidos e o Taleban anunciaram a assinatura de um acordo de paz no dia 29 de fevereiro, em Doha, no Catar. Os dois lados também determinaram uma redução de violência a partir de meia-noite de sábado, 22, na hora do Afeganistão  (16h30 de sexta em Brasília), que deve durar ao menos sete dias.

Os americanos e o grupo extremista afegão haviam retomado as negociações diretas no fim do ano passado. 

Segundo um líder do Taleban ouvido pela Reuters, não se trata de um cessarfogo. "Cada parte tem o direito de se defender, mas não haverá ataques às posições um do outro durante este período de sete dias", explicou. "Isso poderá ser estendido se as coisas forem bem depois de assinar um acordo de paz com os EUA."

O acordo incluirá a libertação de prisioneiros dos dois lados, segundo Zabihullah Mujahid, porta-voz do Taleban. Mike Pompeo, secretário de Estado dos EUA, disse que o acordo visa estabilizar o Afeganistão e abrir caminho para a retirada de soldados americanos do país.

Cerca de 14 mil militares dos EUA estão no Afeganistão como parte da missão da Otan liderada pelos americanos para treinar as forças de defesa do país. 

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Conflito dentro do Afeganistão

Líderes afegãos esperam que o acordo abra caminho também para negociações dentro do próprio país. O Taleban tem se recusado a falar com o governo do Afeganistão, pois o considera “uma marionete dos EUA”.

O presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, foi declarado reeleito em 18 de fevereiro, cinco meses após a realização da eleição. Com a demora, opositores ameaçam rejeitar o resultado e formar um governo paralelo.

O anúncio do acordo de paz ocorre após meses de negociações entre EUA e Taleban, que se enfrentam no Afeganistão desde 2001. Os americanos acusaram o grupo de dar apoio aos ataques terroristas de 11 de setembro.

Em seguida, forças americanas invadiram o Afeganistão, e tiraram o Taleban do comando do país em algumas semanas. O grupo defende uma interpretação radical dos preceitos islâmicos.

Houve eleições a partir de 2004, mas queixas de fraude, corrupção e brigas afetaram a credibilidade do governo. Enquanto isso, o Taleban foi ressurgindo e fazendo ataques, ao lado de outros grupos rebeldes. 

As conversas entre as duas partes ocorrem desde 2018 em Doha, no Catar. Um pacto que leve à retirada de tropas do Afeganistão seria um trunfo para o presidente Donald Trump, que busca o segundo mandato na eleição de novembro.

Ele prometeu diversas vezes acabar com o que chama de "guerras sem fim". Trump reclama que os soldados fazem pouco mais do que um trabalho de polícia e que a guerra demanda muito dinheiro.

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Em setembro, Trump cancelou uma reunião secreta que faria com o grupo em solo americano, porque os insurgentes seguiram atacando enquanto as conversas eram realizadas.

Para os afegãos, há temores de que, sem a presença militar estrangeira, etnias e regiões rivais entrem em conflito e que isso gere uma guerra civil como a dos anos 1990./ AFP e REUTERS

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