Após 19 dias, Colômbia e Venezuela retomam relações diplomáticas

Esforços bilaterais. Presidentes reúnem-se na cidade colombiana de Santa Marta, perto da fronteira; Bogotá, adotando um tom um pouco mais cauteloso que o de Caracas, tenta conseguir compromisso do líder venezuelano de combate à guerrilha em seu país

AP E EFE, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2010 | 00h00

Estilos. Presidente colombiano, Juan Manuel Santos, (E) recebe com honras militares em Santa Marta o efusivo líder venezuelano, Hugo Chávez            

 

 

 

BOGOTÁ

Após mais de quatro horas de reunião, os presidentes da Colômbia, Juan Manuel Santos, e da Venezuela, Hugo Chávez, anunciaram ontem o restabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países após um encontro na cidade colombiana de Santa Marta. Chávez havia cortado as relações em 22 de junho, após a Colômbia denunciar a presença de guerrilheiros colombianos em território venezuelano.

"É algo que temos de celebrar", disse Santos. "Decidimos virar a pagina e pensar no futuro de nossos povos e países." Chávez também estava exultante. "Como diria Bolívar, colocamos a pedra fundamental em nossa nova relação", respondeu o venezuelano.

Chávez havia chegado à reunião otimista, com seu tradicional estilo histriônico, e Santos havia prometido resultados positivos, embora tenha adotado um tom mais cauteloso.

Logo na chegada, o venezuelano presenteou seu colega colombiano com uma biografia de Simón Bolívar, patriarca da independência de boa parte da América espanhola - ontem foi aniversário de Santos. "Venho para ratificar meu amor eterno pela Colômbia. Queremos construir a paz entre nós, custe o que custar", disse Chávez, vestido com um agasalho com as cores da bandeira da Venezuela.

Santos havia chegado a Santa Marta horas antes. "Temos muita vontade de que esta reunião produza efeitos certos e duradouros. Pelo bem de nossos povos faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para que assim seja", disse.

O encontro ocorreu na Quinta de San Pedro Alejandrino, onde morreu Bolívar, em 1830. Cerca de 1.700 agentes de segurança fizeram a vigilância. Também esteve presente na reunião o secretário-geral da União de Nações Sul-americanas (Unasul), o ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner. A chanceler da Colômbia, María Angela Holguín, manteve um encontro paralelo com o ministro de Relações Exteriores da Venezuela, Nicolás Maduro.

As relações da Colômbia com a Venezuela e o Equador deterioraram-se bastante durante a gestão do antecessor de Santos, Álvaro Uribe - especialmente depois que militares colombianos bombardearam um acampamento do líder guerrilheiro Raúl Reyes em território equatoriano, em março 2008.

Há três semanas, Chávez rompeu relações com a Colômbia depois que Uribe apresentou à Organização dos Estados Americanos (OEA) fotos, imagens e mapas que comprovariam a presença de 1.500 membros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) na Venezuela.

No passado, Santos foi um duro crítico de Chávez e o venezuelano também não poupou condenações ao colombiano. Principalmente após Santos, como ministro da Defesa, ordenar o ataque às Farc no Equador. Desde a campanha, porém, Santos prometia retomar relações com Caracas.

Ontem, após a reunião, os dois pareciam ter esquecido as diferenças. "Agora, trabalharemos para reativar o comércio. Temos um potencial como poucos países", disse o venezuelano. "Estamos identificados, Chávez e eu, com a necessidade de priorizar o bem-estar de nossos povos", afirmou Santos. "Por isso, construiremos uma relação duradoura."

Diferenças no passado

HUGO CHÁVEZ

PRESIDENTE DA VENEZUELA

"Imaginem a ameaça para a paz do continente se esse cavalheiro alcançar seu objetivo e for

eleito. Santos é um pupilo da extrema direita ianque"

(Março de 2009)

JUAN MANUEL SANTOS PRESIDENTE DA COLÔMBIA

"A estratégia de Chávez há muito tempo é inventar fantasmas perigosos no exterior para dominar o interior. É uma velha tática fidelista"

(Outubro de 2009)

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