Após 25 anos, EUA reatam laços diplomáticos com a Líbia

Os Estados Unidos decidiram restaurar a normalidade das relações diplomáticas com a Líbia pela primeira vez em 25 anos, depois de retirar o regime do ditador Moammar Kadafi da lista de países propagadores do terrorismo."Nós tomamos essa decisão em reconhecimento ao contínuo comprometimento da Líbia em renunciar o terrorismo", disse em comunicado à imprensa a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice. Segundo ela, a cooperação do país com a guerra ao terror tem sido "excelente"Já o secretário assistente de Estado, David Welch, sublinhou: "Esta não é uma decisão feita sem um monitoramento cuidadoso em relação ao comportamento da Líbia".Welch informou que os EUA logo farão com que seu escritório diplomático em Tripoli, capital da Líbia, esteja funcionando completamente.A ação culmina de um processo que começou há três anos, quando Kadafi surpreendeu o mundo com sua aceitação em desmantelar seu programa de armas nucleares.Laços rompidosOs EUA romperam suas relações diplomáticas com a Líbia em 1980, embora um esfriamento nas hostilidades entre os dois países permitiu que Washington abrisse um escritório diplomático na Líbia em 2004."Como resultado direto dessa decisão, estamos testemunhando a reentrada do país no primeiro escalão da comunidade internacional. Hoje marca a abertura de uma nova era nas relações entre os dois países que irá beneficiar tanto os americanos como os líbios", disse Rice.Já o ministro das relações exteriores da Líbia, Abdurrahman Shalgham, disse que a decisão não causa surpresa. "Foi o resultado de contatos e negociações. Não é unilateral. É o resultado de interesses mútuos, acordos e entendimentos", ele disse."Na política, não há recompensas, mas interesses", disse Shalgham, ao ser perguntado se a restauração dos laços diplomáticos eram um incentivo para que a Líbia coopere com os EUA.A Líbia foi considerada responsável pelo ataque ao vôo 103 da Pan Am, em 1988, que resultou na morte de 270 pessoas, a maioria delas americanos.Decisão "infeliz"Para a oposição líbia, no entanto, o reatamento dos laços entre os dois países foi "infeliz".Segundo um porta-voz do grupo, que está no exílio, "isso não ajuda o povo líbio em sua busca de apoio internacional para conquistar seus direitos civis". Fayez Jibril, do Congresso Nacional Líbio, disse também que "Gadhafi certamente usará isso para acirrar sua posição contrária a quem aspira coisas simples como a liberdade de expressão ou a liberdade para ter uma constituição".A decisão da administração Bush também parece vir em um momento em que os EUA tentam estreitar suas relações com os principais produtores de petróleo do planeta devido aos altos preços do combustível e a diminuição do tamanho das reservas.Kadafi já foi considerado o homem mais perigoso do Oriente Médio pelos Estados Unidos. Em 1981 e 1986, o presidente americano Ronald Reagan chegou a ordenar ataques aéreos contra o país.Desde 2003, no entanto, a Líbia tem sido considerada um modelo de como os países que aspiram armamentos nucleares devem se comportar. O ataque americano ao Iraque fez com que Kadafi ponderasse que ele poderia ser o próximo. Por isso, em dezembro de 2003, ele concordou em desistir de suas instalações para a produção de armamentos nucleares.

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