Após 3 dias, Foro de São Paulo chega ao fim em Caracas com apoio a Chávez

Em 7 de outubro, Chávez tentará mais uma reeleição; 'Declaração de Caracas' tem 41 pontos

Efe,

07 de julho de 2012 | 00h57

CARACAS - O Foro de São Paulo encerrou nesta sexta-feira, 6, três dias de deliberações em Caracas com um respaldo ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que tentará mais uma reeleição em 7 de outubro, mediante um "plano de ação" para apoiar sua campanha, "sustentar" sua vitória e "derrotar a direita". Representantes da esquerda mundial encerraram seus encontros com a denominada "Declaração de Caracas", de 41 pontos, além de um pedido ao Equador para que conceda asilo político ao fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, e da declaração de sua solidariedade a Chávez e à revolução bolivariana.

 

"Concretizamos um plano de ação de solidariedade de todos os nossos partidos, movimentos e organizações, não somente para respaldar a campanha, mas também para sustentar a vitória e derrotar a direita.", disse o secretário-executivo do foro, Valter Pomar, ao ler uma das resoluções aprovadas para apoiar Chávez. Pomar anunciou que no próximo dia 24, quando se completam 229 anos do nascimento do libertador Simón Bolívar, será celebrado um "dia de solidariedade mundial" ao governante venezuelano e a sua revolução. Além disso, em agosto haverá um "'tuitaço' mundial em favor de Chávez".

 

Os participantes do foro também alertaram sobre um "plano da extrema-direita nacional e internacional destinada a desacreditar os resultados eleitorais de 7 de outubro" na Venezuela. "Eu agradeço muito ao Foro de São Paulo por sua declaração de apoio à democracia venezuelana, porque é preciso recordar: eles têm um plano, o plano B, nós temos o Ch", afirmou Chávez em seu prolongado discurso. Durante o encerramento foi divulgado um vídeo com palavras do ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, que também demonstrou seu apoio ao chefe de Estado venezuelano.

 

"Chávez, conte comigo, conte com o PT, conte com a solidariedade e o apoio de cada militante de esquerda, de cada democrata e de cada latino-americano. Sua vitória será nossa vitória", assinalou Lula no vídeo. O ex-governante brasileiro, impulsor do Foro de São Paulo em 1990, destacou que, graças aos Governos "progressistas" da região, a América Latina é hoje "uma referência internacional de alternativa vitoriosa ao neoliberalismo", embora tenha admitido que "há muito por fazer".

 

"Os fatos ocorridos, por exemplo, em Honduras e Paraguai mostram que ainda devemos lutar muito para que a democracia prevaleça em nossa região", indicou, ao referir-se à recente destituição do presidente do Paraguai, Fernando Lugo, e ao golpe de Estado que em 2009 derrubou o então presidente hondurenho, Manuel Zelaya. Em seu discurso, Chávez, que agradeceu a saudação de Lula, assegurou aos presentes que vencerá as eleições por "nocaute" e disse que seu rival, o líder opositor Henrique Capriles, anda "desesperado".

 

"Não se trata de um homem no poder, é um povo no poder", sentenciou Chávez, que aproveitou para anunciar a entrega de computadores a um grupo de estudantes. O presidente venezuelano advertiu, por outro lado, que, se "tentassem fazer algo desestabilizador ou lançar alguma agressão interna ou externa" contra a Venezuela, "se surpreenderiam muito mais que em 2002", quando foi deposto brevemente. "Faríamos com que se arrependessem por 500 anos", sentenciou Chávez, antes de insistir que "esta revolução é pacífica, mas não é desarmada".

 

A "Declaração de Caracas" manifestou, igualmente, "seu compromisso, solidariedade e total apoio" ao presidente do Equador, Rafael Correa, que concorrerá à reeleição em fevereiro de 2013, e à candidatura à Presidência de Honduras da esposa de Zelaya, Xiomara Castro. Por outra parte, o documento, intitulado "Os povos do mundo contra o neoliberalismo e pela paz", rejeitou as acusações formuladas contra o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, no Paraguai e assinalou a "derrocada" do presidente Fernando Lugo. O texto também saiu em defesa da democracia no México, ao acusar a "direita" de "manipulação midiática com pesquisas armadas, compra de votos em massa e outros tipos de fraudes que distorceram a eleição presidencial" de 1º de julho.

 

Por fim, a declaração que se uniu à reivindicação argentina pelas Malvinas, fez menção a Unasul, Celac e Alba, assim como a Porto Rico, entre outros pontos. Sobre a crise do capitalismo, um dos pontos centrais das discussões, o eurodeputado socialista Vicent Garcés assinalou à Agência Efe que a Europa observa como os Governos da América Latina "estão tentando criar políticas alternativas", e não descartou que a influência dessas políticas possa chegar ao Velho Continente.

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