Após 30 anos, China mantém política do filho único

Medidas podem ter consequências para a economia no futuro, dizem demógrafos

Agência Estado e Associated Press

27 de setembro de 2010 | 11h52

PEQUIM - A China vai manter a política de apenas um filho por família nas próximas décadas, informou nesta segunda-feira, 27, a imprensa estatal. O país tem a população mais numerosa do mundo, de cerca de 1,3 bilhão de pessoas, e alega que seu programa de planejamento familiar já evitou o nascimento de mais de 400 milhões de habitantes nos últimos 30 anos, quando foi criado.

 

O jornal China Daily citou nesta segunda-feira Li Bin, diretora da Comissão de População Nacional e Planificação Familiar, dizendo que não havia planos para mudar a política a curto prazo. "A mudança histórica não chega facilmente, e eu, em nome da comissão, envio nosso profundo agradecimento a todos, ao povo em particular, por seu apoio ao programa nacional", disse Li, entrevistada no sábado em um ato para festejar as três décadas da política do filho único. "Por isso, manteremos em vigor a política de planejamento familiar nas próximas décadas."

 

Recentemente, havia especulações entre a imprensa chinesa e pesquisadores em demografia de que o governo poderia reavaliar essa política, permitindo que os casais tivessem ao menos dois filhos. Hoje, as regras estritas de planejamento familiar permitem que os casais de áreas urbanas tenham apenas um filho. Nas áreas rurais, é permitido ter dois filhos. No entanto, o governo chinês defende que essa política conseguiu romper uma traço cultural de preferência por famílias grandes, que levou muitas pessoas aos ciclos de pobreza.

 

Por outro lado, o programa cria novos problemas, como o aumento do número de idosos e uma forte redução no nascimento das meninas. Muitos casais decidem abortar as meninas, esperando ter um menino que possa ajudar no sustento da família no futuro. Além disso, os demógrafos avaliam que a população idosa cresce e será cada vez mais difícil mantê-la, porque a força de trabalho começará também a diminuir nos próximos anos.

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