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Após 30 anos de espera por um papa, humor para 40 horas de fila

Padilla e María, que viram João Paulo II em 1985, chegaram no domingo ao Parque Bicentenário para ver Francisco de perto

QUITO, O Estado de S.Paulo

07 de julho de 2015 | 02h02

Sob o forte sol do meio-dia ou ensopados pelo temporal que caiu de tardezinha em Quito, não parecia haver mau humor entre os fiéis nas barracas armadas em fila, à espera da abertura dos portões do Parque Bicentenário, onde Francisco reza hoje a última missa no país às 10h30. Os primeiros chegaram na noite de domingo ao lugar para ver um papa de perto, 30 anos após a passagem de João Paulo II pelo país.

Olivo Padilla e María Flores tinham 41 e 36 anos então e estavam lá, com os cinco filhos. Saudaram o pontífice polonês, santificado pelo atual. "Lembro que minha filha mais nova tinha só 3 meses e a levei. Ela não lembra de nada, mas se orgulha quando vê as fotos", comenta María.

A passagem de João Paulo II ocorreu na presidência León Febres-Cordero (1984-1988) e distendeu em parte a situação política local. O país estava envolvido numa luta antiterrorista que resultou em denúncias de violações de direitos humanos contra Febres-Cordero. Ele terminou seu mandato desestabilizado por escândalos de corrupção, preços baixos do petróleo e exportações afetadas por um terremoto.

Discute-se se Francisco é capaz de também aproximar o governo de Rafael Correa de manifestantes que há um mês protestam contra ele. Na chegada do papa ao país, no domingo, os aplausos ao papamóvel eram seguidos de vaias a Correa. "Com ele, as coisas melhoraram em 60% a 70%", disse Padilla, que chegou aos 71 anos sem aposentadoria, consertando bicicletas depois de abandonar a agricultura. "O que ele não conseguiu foi unir o país. Essa disputa política deve acabar", afirmou.

Sentado ao lado da mulher, ele observava sorridente o ambiente com uma imagem de gesso de um Cristo no colo. Ao lado direito, tinha os dois cobertores com os quais passariam a noite - um para cortar o frio do solo e outro para aquecer o corpo. "Sou do campo, não faz diferença." María segurava uma garrafa com sete tipos de grãos cuja tampa é uma moeda, espécie de amuleto para não faltar comida em casa. "Gosto tanto desse papa quanto de João Paulo. Pelo Bento, eu não tinha muita simpatia", confidenciou.

Alguns metros atrás, bem mais preparada contra a intempérie, com uma barraca para cinco pessoas, estava uma família do sul da Colômbia, de Pasto. O líder da expedição que durou oito horas em carro era o advogado Daniel Botina, de 30 anos. Animado, ele prometia não dormir até a hora da missa, em razão da vigília que seria seguida por uma Oração do Rosário às 4 horas de hoje.

Seu filho, Juan José, exibia um cartaz em que se lia "Deus é amor, minha Igreja é amor. Te digo eu, que tenho 8 anos". "Gosto do papa porque ele é gente boa", afirmou. "E também é a pessoa mais importante do mundo", completou. "Mais do que o seu pai?", foi questionado. "Sim", respondeu o menino, arrancando gargalhadas da família. / R.C.

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