Yamil Lage/ AP
Yamil Lage/ AP

Após 32 anos, primeiro-ministro da Espanha visita Cuba

Durante encontro histórico com o presidente cubano Miguel Díaz-Canel, Pedro Sánchez busca estreitar relações diplomáticas e comerciais com Havana

O Estado de S.Paulo

23 Novembro 2018 | 03h49

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, e o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, assinaram um acordo para estreitar as relações bilaterais entre os dois países nesta quinta-feira, 22, durante encontro histórico em Havana. Esta é a primeira visita de um governante espanhol a Cuba nos últimos 32 anos.

Logo depois de chegar à ilha, Sánchez depositou flores na estátua de José Marti, herói da independência cubana, para depois se encontrar com Díaz-Canel no Palácio da Revolução. Os dois líderes firmaram um pacto para realização de encontros anuais para diálogos políticos de alto nível, que deverão incluir tópicos sobre direitos humanos.

Relações comerciais

A visita de Sánchez é uma tentativa de melhorar não apenas as relações diplomáticas, mas também comerciais entre os dois países. A Espanha é o terceiro maior parceiro comercial de Cuba, atrás apenas da China e da Venezuela.

Nesta sexta-feira, 23, o primeiro-ministro da Espanha deverá se reunir com representantes de mais de 200 empresas, entre as quais estão a gigante das telecomunicações Telefônica e a companhia aérea Iberia.

"Neste último ano, 2017-2018, a Espanha ganhou terreno importante na área comercial e investimentos, a ponto de poder substituir a Venezuela como o segundo parceiro comercial da ilha", explica o analista político Arturo López-Levy, professor do Colégio Gustavus Adolphus, de Minnesota, nos Estados Unidos.

Se por um lado Sánchez pode se beneficiar com a iminente aprovação de uma nova constituição cubana que poderá reconhecer a importância dos investimentos estrangeiros, Cuba está a procura de recursos. Além de sofrer com a crise da Venezuela, seu principal fornecedor de petróleo, o país também cancelou a participação de médicos cubanos no programa Mais Médicos do Brasil, que rendia cerca de U$ 400 milhões anuais para a ilha.

O diplomata aposentado cubano Carlos Alzugaray disse que as relações exteriores de Cuba não precisam ser limitadas ao conflito EUA-Cuba ou a alianças com países como Rússia e China. "A nova geração de líderes cubanos precisa dessa reaproximação (com a Espanha)", disse. "É oxigênio em um momento difícil."

Visita histórica

Para a oposição espanhola, antes mesmo que Pedro Sánchez pousasse em Havana, o primeiro-ministro foi criticado por Pablo Casado, oposicionista do Partido Popular. Segundo uma publicação de Casado no Twitter, "Sánchez está em Cuba “para entreter ditadores, em vez de pedir liberdade e democracia”, escreveu.

Pedro Sánchez é o primeiro governante espanhol a visitar Cuba desde Felipe González, em 1986. A ilha foi a última colônia espanhola a conquistar independência, em 1898.

As relações entre ambos os países estavam tensas desde 1996 por conta da “posição comum” europeia. Naquela oportunidade, orientadas pelo ex-primeiro-ministro espanhol José María Aznar, a Europa condicionou o diálogo com Cuba a avanços em questões sobre direitos humanos.

Em novembro de 2017, contudo, um novo diálogo político e de cooperação foi acordado entre Cuba e União Europeia, a qual tenta preencher a lacuna deixada pelos Estados Unidos após a chegada de Donald Trump na Casa Branca.

Fontes diplomáticas apontam que Sánchez poderia anunciar outra visita histórica no ano que vem: a do rei Felipe VI, em novembro de 2019, por conta dos 500 anos de Havana. O primeiro-ministro teria conversado sobre esta possibilidade com Díaz-Canel, que a recebeu positivamente. / AFP, AP, EFE e REUTERS

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