Após 33 anos de ditadura, presidente do Iêmen assina acordo e deixa o poder

O presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, assinou ontem, na Arábia Saudita, um acordo para transferir o poder para seu vice-presidente, Abd-Rabbu Mansour Hadi, em troca de imunidade judicial. O pacto põe fim a 33 anos de ditadura e quase 11 meses de protestos que levaram o país à beira de uma guerra civil.

SANAA, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2011 | 03h02

O acordo foi mediado pela ONU e pelo Conselho de Cooperação do Golfo (CCG). Uma emissora de TV saudita mostrou Saleh sorridente, sentado ao lado de diplomatas e do rei saudita Abdullah, no palácio real, em Riad, firmando quatro cópias do documento, que determina a transferência em até 30 dias.

Hadi deve formar um governo de união nacional, que inclui membros da oposição, e convocar eleições presidenciais em 90 dias. Saleh manteria o título de presidente, apenas em caráter simbólico, até que um sucessor seja eleito.

Assim que a notícia chegou a Sanaa, a população saiu às ruas para comemorar, com bandeiras do país. Saleh, de 69 anos, governava o Iêmen desde 1978 e tornou-se o quarto ditador a deixar o poder por causa da onda de levantes da Primavera Árabe.

Desde o início do ano, Saleh enfrentava violentas manifestações pelo fim de seu governo. Por três vezes, ele esteve a ponto de assinar um acordo para a transferência de poder, mas sempre desistia na última hora. Ontem, em meio a muito ceticismo, ele desembarcou na Arábia Saudita prometendo finalmente firmar o documento.

Após sacramentar o acordo, ele afirmou que cooperará "plenamente" com o governo de união nacional e falou sobre a revolta popular. Embora não tenha feito nenhuma menção às reivindicações dos manifestantes, ele se referiu aos protestos como um "golpe".

Saleh também definiu o bombardeio contra seu palácio, em junho, como "um escândalo". Na ocasião, ele ficou gravemente ferido e teve de fugir para a Arábia Saudita, onde esteve internado por três meses. Ontem, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que Saleh continuará seu tratamento em Nova York (mais informações na página A18).

Reação. "Declaro uma nova fase na história do Iêmen", disse Abdullah, rei saudita, após a cerimônia. Em Washington, o presidente americano, Barack Obama, pediu ao Iêmen que aplique "imediatamente" o acordo de transferência de poder. "Os EUA aplaudem a decisão do presidente Saleh de transferir o poder executivo ao vice-presidente. Isto representa uma etapa importante para os iemenitas, que merecem poder determinar seu futuro", declarou. Catherine Ashton, chanceler da União Europeia, destacou o caráter pacífico da transição e disse esperar que o Iêmen "vire uma página de sua história". "Esse acordo é só o começo, mas é muito importante." / AFP, REUTERS e AP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.