AFP PHOTO / AMPE ROGERIO
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Após 38 anos no poder, presidente de Angola diz que não tentará reeleição

José Eduardo dos Santos, acusado de prender ativistas que defendem os direitos humanos, indicou seu ministro de Defesa, João Lourenço, para disputar a próxima eleição presidencial no país

O Estado de S. Paulo

03 Fevereiro 2017 | 15h45

LUANDA - O presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, confirmou nesta sexta-feira, 3, que não concorrerá às eleições gerais previstas para agosto, decisão com a qual encerrará uma era de 38 anos no poder.

O anúncio do líder angolano foi feito durante reunião de seu partido, na qual apresentou como novo candidato presidencial o ministro da Defesa, João Lourenço, informou a imprensa local. O candidato à vice-presidência será o atual ministro da Administração do Território, Bornito de Sousa.

Santos não disse nada sobre a possibilidade de concorrer a outro cargo, algo apontado por fontes de seu próprio partido, o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA). O presidente anunciou recentemente que deixaria "a atividade política ativa" em 2018, mas não havia deixado claro o que faria nas eleições deste ano.

Aos 74 anos, Santos governa Angola desde 1979 e foi amplamente criticado pelas violações dos direitos humanos cometidas contra ativistas e opositores políticos.

Recentemente, nomeou sua filha, Isabel dos Santos, considerada a mulher mais rica da África, presidente do Conselho de Administração da Sonangol, responsável pelos combustíveis de Angola e principal acionista do Banco Comercial Português (BCP), a maior entidade privada de Portugal.

Tal medida abriu espaço para especulações sobre uma eventual candidatura de Isabel para o comitê central do MPLA, mas o líder acabou indicando outros dois de seus filhos.

O governo de Santos foi acusado de prender ativistas que defendem os direitos humanos, em um país que ocupa a 123ª posição de 180 na lista de liberdade de imprensa no mundo, elaborada pela ONG Jornalistas Sem Fronteiras.

Angola é o segundo maior produtor de petróleo da África, mas metade da população vive com apenas US$ 2 ao dia. / EFE

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