Após 4 anos, Egito reabre fronteira com a Faixa de Gaza

Após quatro anos de bloqueio, o Egito reabriu permanentemente neste sábado a principal porta da Faixa de Gaza para o mundo exterior, levando um longamente esperado alívio para a população do território palestino. Esse foi um acontecimento significativo para o grupo militante islâmico que controla a região, o Hamas.

AE/AP, Agência Estado

28 de maio de 2011 | 09h26

A reabertura da fronteira em Rafah suspende o bloqueio egípcio que impediu que a maioria da população de 1,5 milhão de pessoas da Faixa de Gaza pudesse viajar para o exterior. O bloqueio, junto com um implementado por Israel na sua fronteira com a Faixa de Gaza, alimentou uma crise econômica no território densamente povoado.

Mas o movimento deste sábado levanta receios em Israel de que os militantes sejam capazes de se locomover livremente para dentro e fora da Faixa de Gaza. Destacando esses receios, o exército israelense afirmou que militantes da Faixa de Gaza lançaram um morteiro em direção a um campo aberto no sul de Israel durante a noite. Não houve feridos e Israel não reagiu ao ataque.

Israel e Egito impuseram o bloqueio depois que o Hamas tomou o controle da Faixa de Gaza, em junho de 2007. O fechamento das fronteiras, que também incluiu duras restrições de Israel ao transporte de cargas e um bloqueio naval, pretendia enfraquecer o Hamas, que se opõe à paz com Israel.

Desde a derrubada do presidente do Egito, Hosni Mubarak, em fevereiro deste ano, a nova liderança do país prometeu reduzir o bloqueio e melhorar as relações com o Hamas. Sob o novo sistema, a maioria das restrições será eliminada e um grande número de palestinos poderá cruzar a fronteira todos os dias.

Cerca de 350 pessoas se reuniram em Rafah na manhã deste sábado, quando o primeiro ônibus com passageiros cruzou a fronteira. Duas autoridades egípcias ficaram de guarda perto de uma grande bandeira do país no alto do portão de passagem enquanto o veículo passava. O clima dentro do terminal de ônibus da Faixa de Gaza era tranquilo e os policiais do Hamas pediam que os passageiros registrassem um a um seus documentos de viagem.

Depois de duas horas de operação, Hatem Awideh, diretor-geral da autoridade de fronteira do Hamas, informou que 175 pessoas haviam cruzado a passagem. "Hoje é o marco de uma nova era que nós esperamos que pavimente o caminho para encerrar o cerco e o bloqueio a Gaza", disse. As informações são da Associated Press.

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