AMR Nabil/AP
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Após 4 anos, Egito reabre fronteira com Faixa de Gaza

Autoridades egípcias reabriram ontem o posto fronteiriço de Rafah, com a Faixa de Gaza. A passagem estava bloqueada desde junho de 2007, quando o grupo radical Hamas assumiu o controle do território palestino após confronto com a facção laica Fatah. Segundo fontes oficiais, o objetivo da medida é consolidar a reconciliação entre os dois grupos, anunciada no dia 5 e mediada pelo Egito.

AP, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2011 | 00h00

A decisão da junta militar egípcia, no poder desde a queda do ex-ditador Hosni Mubarak, em fevereiro, deve trazer alívio econômico ao território, onde vivem 1,5 milhão de pessoas. A abertura da fronteira, no entanto, preocupa Israel, que teme a entrada de armas para o Hamas.

Milhares de palestinos se reuniram ontem para cruzar a fronteira. O primeiro ônibus, lotado de passageiros, cruzou a passagem às 9 horas (4 horas, no horário de Brasília), observado por dois guardas egípcios. Segundo autoridades aduaneiras, nas primeiras cinco horas após a abertura do posto fronteiriço, 340 pessoas entraram no Egito. Outras 150 foram à Faixa de Gaza.

Cerca de 100 militantes do Hamas fizeram uma manifestação ao lado da passagem carregando bandeiras palestinas e egípcias. "Esse passo corajoso do Egito reflete os laços históricos entre nossas nações", disse o porta-voz do grupo Sami Abu Zahri. "Esperamos que seja um passo no longo processo para pôr fim ao bloqueio a Gaza."

As regras antigas permitiam que apenas estudantes, comerciantes ou pessoas necessitando de cuidados médicos viajassem ao Egito. Havia também uma "lista negra" de palestinos que não podiam deixar Gaza.

Apesar da maioria das restrições ter sido removida, ainda há entraves burocráticos. Homens entre 18 e 40 anos devem pedir visto para entrar no Egito, o que pode levar semanas. Mulheres, crianças e idosos, por outro lado têm menos dificuldades.

Temores. Desde a ascensão do Hamas ao poder, Israel impôs um bloqueio naval e restringiu a entrada de mercadorias no território para enfraquecer o grupo, o que provocou uma grave crise econômica. O governo israelense permite a entrada de bens de consumo em Gaza, mas limita exportações e a entrada de material de construção.

Israel e os EUA temem que com a abertura da fronteira, o Hamas possa aumentar o fluxo de armas e de militantes para a Faixa de Gaza. O Egito promete implementar medidas para evitar que isso aconteça. Nos últimos anos, o grupo radical construiu túneis para driblar o bloqueio, que periodicamente sofrem bombardeios israelenses.

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