Após 4 anos, um líder mais pressionado

Americanos reelegem um presidente Obama diferente daquele senador eletrizante que surpreendeu os EUA e o mundo em 2008

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

08 de novembro de 2012 | 02h01

Na segunda-feira, Barack Obama fez seu último discurso como candidato em Des Moines, no Estado de Iowa. Visivelmente emocionado, era um homem diferente daquele que subiu no palanque do Grant Park, em Chicago, quatro anos antes, após a vitória sobre John McCain.

Em 2008, ele era um senador de Illinois com menos de quatro anos de experiência no Congresso, um candidato eletrizante que havia derrotado o establishment do Partido Democrata, atropelado seu rival republicano na corrida presidencial e se tornado o primeiro negro a ocupar a Casa Branca com o slogan de "esperança e mudança".

Em 2012, os EUA reelegeram um homem que passou os últimos anos em uma guerra de trincheira com o Partido Republicano. Perdeu muitas batalhas, que se juntaram à lista de promessas não cumpridas: fechar a prisão em Guantánamo, realizar uma reforma fiscal e de imigração, tirar o país da crise econômica e equilibrar o orçamento.

Mas também ganhou alguns duelos: aprovou a reforma no sistema de saúde, vem cumprindo um cronograma de retirada das tropas americanas do Iraque e do Afeganistão, matou o terrorista Osama bin Laden e salvou a indústria automobilística dos EUA - com um plano de socorro fortemente criticado pelos republicanos, mas que rendeu a Obama votos decisivos em cidades como Detroit, no Estado de Michigan.

Entre um mandato e outro, perdeu o controle da Câmara dos Deputados e parte dos fracassos pôde ser creditada ao obstrucionismo da oposição.

Nos últimos quatro anos, Obama perdeu apoio, mas não o suficiente para perder a eleição - em 2012, ele teve cerca de 2,5 pontos porcentuais a menos que em 2008, embora a diferença deva diminuir com o fim da apuração na Califórnia e em Nova York. Apesar de ter deixado escapar dois Estados conquistados em 2008, Indiana e Carolina do Norte, manteve sua base de swing states, mesmo com o desemprego próximo de 8% e com sua aprovação abaixo de 50%.

Nova tática. Os desafios continuam os mesmos: criar empregos, equilibrar o orçamento e equacionar o déficit público. Para isso, Obama promete obter US$ 1,5 trilhão aumentando impostos dos americanos ricos e cortando gastos. Ele sabe que a oposição no Congresso será a mesma.

Ontem, porém, seus assessores já anunciaram uma mudança de estratégia. Os quatro anos na Casa Branca e mais uma campanha presidencial mostraram que o caminho para superar o obstrucionismo é buscar apoio dos eleitores.

Pesquisas divulgadas ontem mostraram que 50% dos eleitores apoiam impostos mais altos para os que ganham mais de US$ 250 mil por ano e 15% defendem o aumento para todos os americanos. Tudo indica que agora é com a ajuda das ruas que Obama pretende vencer suas batalhas.

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