Após 4 dias, Cruz Vermelha é mantida fora da Síria

Damasco diz que acesso 'não é seguro'; nos EUA, senador pede a Obama que lidere campanha aérea contra Assad

LOURIVAL SANTANNA, ENVIADO ESPECIAL / ISTAMBUL, O Estado de S.Paulo

06 de março de 2012 | 03h05

Pelo quarto dia consecutivo, o governo sírio impediu a Cruz Vermelha de levar ajuda humanitária ao bairro de Baba Amr, em Homs, no centro-oeste do país, ocupado na quinta-feira pelo Exército leal ao presidente Bashar Assad.

"Não estamos conseguindo entrar em Baba Amr", disse ontem à noite (tarde no Brasil) ao Estado, pelo telefone, o porta-voz do Comitê Internacional da Cruz Vermelha em Damasco, Saleh Dabbakeh. "As autoridades alegam que não é seguro. Continuaremos tentando."

Dabbakeh não soube precisar quantos civis continuam no bairro, que durante meses foi controlado pelos rebeldes do Exército Livre da Síria (ELS), até sua tomada na quinta-feira, depois de quase um mês de intensos confrontos. Dois jornalistas morreram e outros dois ficaram feridos no dia 22, num dos bombardeios diários das forças leais sírias ao bairro. Na quinta-feira, os rebeldes decidiram fazer o que qualificaram de "recuo tático".

Desde então, Baba Amr continua isolado pelas forças de segurança. O restante da cidade de Homs, que não registrou confrontos nos últimos dois dias, tem recebido ajuda humanitária.

Segundo Dabbakeh, foram cinco comboios de voluntários do Crescente Vermelho (versão local da Cruz Vermelha) desde o dia 11, com alimentos, medicamentos, kits de higiene, cobertores e colchonetes. Terceira cidade da Síria, com 1 milhão de habitantes, Homs sofre no entanto com a falta de água e eletricidade, como outros pontos do país onde tem havido confrontos.

Intervenção. Ontem, o senador americano John McCain defendeu publicamente que a aviação dos EUA realize bombardeios contra forças de Assad que estão ameaçando bastiões da oposição síria, como Baba Amr.

"O objetivo maior dos ataques aéreos deve ser o estabelecimento e a defesa de zonas livres para dissidentes na Síria, especialmente no norte, onde (opositores) podem organizar suas atividades políticas e militares contra Assad", disse o republicano, uma das vozes mais influentes no Congresso dos EUA no tema de política externa. McCain já havia solicitado ao governo americano que ajudasse a armar opositores sírios.

Relatos de refugiados sírios indicam que as forças de Damasco estão agora centrando fogo contra cidades perto da fronteira com o Líbano. Na cidade libanesa de Arsal, no Vale do Bekaa, entre 100 e 150 famílias sírias chegaram nas últimas 24 horas - o maior influxo de refugiados em quase um ano de crise na Síria.

As Nações Unidas estimam que mais de 7.500 pessoas tenham morrido nos distúrbios sírios. Com apoio dos EUA, países europeus e aliados árabes, a oposição a Assad tenta se organizar política e militarmente, mas ainda está longe de ameaçar a existência do regime.

Ontem a TV estatal da Síria noticiou que Damasco aceitou receber o ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, que se tornou o emissário das Nações Unidas e da Liga Árabe para a crise síria. Annan chegará ao país árabe no sábado e se encontrará com líderes do regime. A Rússia - que tem barrado punições diplomáticas contra Damasco - afirmou estar otimista com o encontro. Até agora, outros funcionários da ONU foram proibidos de entrar na Síria. / COM REUTERS

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