AFP PHOTO / FRED DUFOUR
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Após 40 anos, China avalia abandonar a política do filho único

Governo pode estender para toda população a permissão para ter dois filhos porque está preocupado com a baixa taxa de natalidade

O Estado de S. Paulo

23 de julho de 2015 | 09h28

PEQUIM - O governo da China está estudando estender para toda a população a autorização para ter dois filhos, atualmente permitida apenas sob certas condições e algumas regiões do país, deixando para trás quase 40 anos da política do filho único.

A medida, antecipada na quarta-feira pelo jornal oficial China Business News e confirmada nesta quinta-feira, 23, por outros veículos, teria como objetivo reverter a baixa taxa de natalidade do país, que está provocando um envelhecimento acelerado da população.

Um pesquisador da Comissão Nacional de Saúde e Planejamento Familiar disse ao China Business News que a revisão da legislação sobre o controle da natalidade poderia ocorrer antes do fim deste ano.

A Assembleia Nacional Popular da China aprovou em dezembro de 2013 um relaxamento da controvertida política do filho único, autorizando os casais nos quais um dos pais não tivesse irmãos a ter um segundo descendente. Anteriormente, tanto o pai como a mãe precisavam ser filhos únicos para poderem ter dois filhos. 

A mudança foi sendo aplicada paulatinamente, mas, por enquanto, seus efeitos foram menores que os esperados pelo governo. Um milhão de casais solicitaram ter um segundo filho com base na reforma, a metade do previsto pelas autoridades.

A partir desses dados e do aumento do envelhecimento da população, os analistas estão estudando como propor novos relaxamentos nas políticas de planejamento familiar do país para manter o desenvolvimento econômico.

O primeiro-ministro da China, Li Keqiang, havia dito em março, em seu discurso anual na Assembleia Popular, que o governo seguiria fazendo mudanças no controle da natalidade.

O percentual da população de mais de 60 anos na China aumentou de 13,3% em 2010 para 15,5%. Já o número de pessoas em idade para trabalhar registrou queda em 2011, segundo os dados oficiais. /EFE

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