Após 40 anos da morte de Luther King, racismo ainda é debatido

Quatro décadas depois de o ativistanegro Martin Luther King Jr. ter sido morto a tiros por umracista, a questão racial que ele obrigou a sociedadenorte-americana a enfrentar continua a reverberar no cenáriopolítico do país. A pré-candidata democrata às eleições presidenciais HillaryClinton e o candidato do Partido Republicano, John McCain,foram a Memphis (no Estado do Tennessee) para lembrar a mortede King, no dia 4 de abril de 1968, e tentar conquistar apoioentre o eleitorado negro, mais propenso a votar nopré-candidato democrata Barack Obama. McCain e Hillary tentam melhorar sua aceitação entre oseleitores negros e ambos devem discursar e depois comparecer aum evento da NBC News para falar sobre o papel de King nomovimento da década de 60 contra a segregação racial. O ativista foi morto quando estava na sacada do LorraineMotel. A morte dele provocou distúrbios de rua em mais de cemcidades. Obama, que pode se transformar no primeiro negro a comandara Casa Branca e que recebe uma grande parcela de apoio doseleitores negros, celebrou o dia em Fort Wayne, Indiana, ondeafirmou a uma multidão de 2.800 pessoas que o cenário políticodos EUA não havia honrado os sonhos de King. "Durante um longo período de tempo, tivemos um cenáriopolítico pequeno demais para a dimensão dos desafios queenfrentamos", disse. "Ao invés de termos um cenário políticoque honrasse os apelos de unidade feitos pelo doutor King,tivemos um cenário político que usou a raça para nos separar." "Apesar de cada um de nós possuir um passado diferente,compartilhamos todos as mesmas esperanças em relação aofuturo", afirmou Obama, citando questões como a oferta detrabalho, a assistência médica, a educação e a segurançafinanceira na aposentadoria. "Essas são esperanças comuns, sonhos modestos. E elasencontram-se no coração da luta por liberdade, dignidade ehumanidade que o doutor King começou." Horas antes, Obama tinha afirmado que não se preocupava como fato de não comparecer a Memphis no dia 4 de abril. "Acho queo importante é divulgar em locais como Indiana e Dakota doNorte a mensagem de que o trabalho do doutor King não chegou aofim", afirmou. Obama discursará na convenção do Partido Democrata deDakota do Norte ainda na sexta-feira, bem como Hillary. Uma pesquisa do New York Times/CBS News publicada naquinta-feira mostrou que a preferência por Obama entre oseleitores declaradamente democratas havia caído sete pontospercentuais, para 62 por cento, desde o final de fevereiro. A queda deu-se principalmente entre os eleitores do sexomasculino e os de renda mais alta. Hillary, que chegou a Memphis antes do amanhecer, foiacusada de injetar questões raciais em sua campanha quando omarido dela, ex-presidente Bill Clinton, criticou Obama nasprévias da Carolina do Sul, em janeiro. A pré-candidata, que pode se transformar na primeira mulhera comandar os EUA, luta para reverter a vantagem de Obama nacorrida pela candidatura do Partido Democrata nas eleiçõespresidenciais de novembro. McCain também precisa se esforçar para melhorar sua imagementre o eleitorado negro. Em setembro, ele faltou a um debateda campanha republicana que tratou principalmente das questõesenvolvendo os negros. Os democratas citam com frequência o fato de McCain, quandomembro da Câmara dos Deputados, em 1983, ter votado contra acriação de um feriado nacional no dia de nascimento de King. O feriado acabou aprovado por 338 votos contra 90, e opresidente Ronald Reagan sancionou o projeto, transformando-oem lei. McCain afirmou a repórteres nesta semana ter aprendido "queesse indivíduo foi uma figura transcendente na histórianorte-americana" e merecia ser homenageado. (Reportagem adicional de Ellen Wulfhorst e Caren Bohan)

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