Após 50 horas de operação, hemorragia tira vida das gêmeas

Depois de 50 horas de uma cirurgia inédita para separar gêmeas adultas unidas pela cabeça, o médico Keith Goh percebeu que algo não ia bem: ele trabalhava furiosamente para estancar uma hemorragia que atingia uma das pacientes, Laleh Bijani, qunado notou que a outra, Ladan, também perdia sangue com grande rapidez. As duas morreram pouco depois - Ladan às 14h30 (horário de Cingapura), e Laleh, 90 minutos depois. As gêmeas conheciam os riscos da operação, que poderia custar a vida de uma, de ambas ou deixá-las com sérios problemas neurológicos, mas insistiram na realização da cirurgia. Ladan, a mais extrovertida, queria continuar a estudar para praticar advocacia. Laleh que, sem outra escolha, havia acompanhando a irmã na faculdade de Direito, queria ser jornalista. ?Pelo menos, realizamos o sonho delas, de se separarem?, disse Goh. Os corpos seriam devolvidos ao Irã em caixões distintos. Diversos especialistas em bioética disseram, horas depois das mortes, que a operação tinha justificativa ética, uma vez que so médicos acreditavam haver uma chance razoável de sucesso, e as pacientes conheciam os riscos. Os médicos foram surpreendidos diversas vezes por situações que as análises pré-operatórias tinham falhado em revelar: o osso do crânio era mais espesso e difícil de cortar que o esperado; os cérebros das irmãs, embora funcionassem separadamente, estavam ligados por tecido; e a pressão sangüínea das duas se mostrou instável. No final, foram as mudanças imprevisíveis na circulação do sangue das gêmeas, e a incapacidade dos médicos em administrar essas mudanças, que as mataram, disse Goh. Por mais de três dias, a equipe de 28 médicos e 100 assistentes trabalhou no espaço exíguo diante e atrás das irmãs, que eram mantidas sentadas num leito feito sob medida, conectado a monitores e tubos intravenosos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.