AP Photo/Alex Brandon
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Após 6 meses conturbados, como é possível salvar o governo Trump

Em seu primeiro semestre de mandato, presidente republicano lida com baixa popularidade e agenda política destruída

Andrew Beatty, AFP, O Estado de S.Paulo

20 Julho 2017 | 10h15

WASHINGTON - Os primeiros seis meses do republicano Donald Trump na Casa Branca foram marcados por uma junção de escândalos, caos e indignação, que pode levar a uma condenação de seu governo, caso não haja uma significativa mudança de rumo.

Todos os presidentes americanos enfrentam crises que parecem ameaçar a estabilidade da Casa Branca. Abraham Lincoln, por exemplo, teve de enfrentar uma sangrenta Guerra Civil, Bill Clinton foi humilhado por escandalosas investigações, Barack Obama precisou de cinco meses para conter um devastador derramamento de petróleo e bem mais tempo do que isso para melhorar a economia.

Poucos líderes causaram tanta indignação ou enfrentaram tantas crises nos primeiros meses de governo como Donald Trump. "Ser consumido por escândalos desde o primeiro dia não é bom. Não aprovar nenhuma legislação importante não é bom. Ter níveis de aprovação tão baixos com potencial para baixas republicanas... Tudo isso não é o que você espera", comentou o professor de História Julian Zelizer, da Universidade de Princeton.

Trump tomou posse no dia 20 de janeiro, declarando que Washington estava falida e apenas um empresário agressivo como ele poderia corrigir esse quadro. A promessa parece ter se desintegrado.

A Casa Branca continua com poucos funcionários, contando com um quadro pouco qualificado e lutando para atrair novos talentos. Funcionários admitem estar esgotados e desmoralizados.

A agenda política de Trump foi destruída: o muro na fronteira com o México não saiu do papel, o Acordo de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta, na sigla em inglês) não foi anulado, o acordo nuclear com o Irã resiste, e o Obamacare continua em vigor.

Em seu discurso, o republicano parece continuar em campanha, brigando com a imprensa, com o Poder Judiciário, com seu próprio partido, com os democratas e com o ex-diretor do FBI James Comey, demitido por ele.

A insistente divulgação de provas reforça e amplifica as acusações de que sua família e seus assessores diretos buscaram ajuda da Rússia para acabar com a campanha de sua rival e então candidata democrata, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton.

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Dentro o conjunto de notícias negativas, há alguns pontos a favor: o grupo jihadista Estado Islâmico (EI) foi derrotado em Mossul, no Iraque, e Raqqa, capital do autoproclamado califado na Síria, está sitiada. Além disso, Trump cumpriu sua promessa de sair da Parceria Transpacífico (TPP, na sigla em inglês) e nomeou, com sucesso, o juiz conservador Neil Gorsuch para a Suprema Corte. Ainda assim, foram poucas as vitórias.

Inimigo

Para alguns analistas, Trump pode ser o pior inimigo de seu governo. "Muitos dos problemas que enfrenta são ele mesmo, e não vai mudar sua personalidade", comentou Zelizer.

Segundo o prefeito democrata de Charlottesville e professor da Universidade da Virgínia, Michael Signer, para Trump, "o caminho para a legitimidade seria abraçar nossas normas tradicionais e nosso sistema de pesos e contrapesos".

Se nada mudar, os níveis de aprovação de Trump - historicamente baixos, em 40% - podem servir como um indício do que acontecerá nas urnas nas eleições de meio mandato de 2018. "Se os democratas se fortalecerem em tamanho, ou se ganharem poder em uma ou em ambas as Câmaras, então o presidente estará com problemas", advertiu Zelizer, referindo-se ao Senado e à Câmara de Deputados.

"Quanto mais encurralado se sentir, menos diplomáticas serão suas respostas. Vai ficar irritado e atacará seus agressores. Não acho que ficará mais tranquilo no Salão Oval. Acho que, conforme as coisas se intensificarem, vai ficar muito mais complicado.”

Futuro

Mesmo com as crises, os presidentes podem corrigir o rumo. O primeiro mandato de Bill Clinton foi sabidamente difícil e, assim como Trump, sofreu uma precoce e embaraçosa derrota legislativa em matéria de saúde.

"A história está cheia de exemplos de presidentes que aprendem com seus erros e passam a ter grandes êxitos legislativos", disse Alex Conant, estrategista republicano da Firehouse Strategies, que trabalhou no governo de George W. Bush.

"Em última análise, os presidentes são julgados pelo que fazem, e (Trump) tem apenas seis meses de vida. Ainda há tempo para que faça muito. Ainda pode chegar a ser um presidente bem-sucedido", acrescentou.

Para isso, seria necessário fazer mudanças, admite Conant. "Meia dúzia de reuniões com senadores e um punhado de tuítes não vão conseguir algo tão polêmico quanto a reforma da saúde.”

O estrategista insiste que Trump ainda tem tempo e algumas das habilidades necessárias para garantir vitórias políticas, desde que esteja disposto a mudar o tom. "Durante toda sua vida foi um bom vendedor e, durante a campanha, fez um trabalho incrível, energizando a base conservadora", avaliou Conant. "Essas são as habilidades que ele precisa aplicar agora no governo.” / AFP

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