Eduardo Munoz/Reuters
Eduardo Munoz/Reuters

Após morte de Epstein, secretário de Justiça troca cúpula de agência prisional

Caso já havia provocado mudanças no centro de detenção federal onde ele estava detido, em Nova York

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2019 | 16h48

WASHINGTON - O secretário de Justiça dos EUA, William Barr, anunciou nesta segunda-feira, 19, a substituição do chefe do Departamento Federal de Prisões do país após a morte sob custódia federal do preso multimilionário Jeffrey Epstein. Barr não mencionou o caso de Epstein em seu anúncio.

Hugh Hurwitz, o diretor interino da agência, será substituído por Kathleen Hawk Sawyer, que anteriormente ocupou o cargo de 1992 a 2003. Barr também nomeou Thomas Kane como seu vice, cargo que atualmente está vago. "Sob o mandato anterior da doutora Hawk Sawyer, ela liderou com excelência, inovação e eficiência, recebendo inúmeros prêmios por sua grande liderança."

A morte de Epstein já havia provocado mudanças no centro de detenção federal onde ele estava detido. O diretor do Metropolitan Correctional Center foi transferido e os dois guardas que deveriam estar checando sua cela foram colocados de licença. Funcionários do sindicato disseram que tal morte era inevitável devido ao pessoal reduzido e às horas extras forçadas dos guardas.

O Departamento de Justiça enviou mais tenentes de todo o país para reforçar a equipe do presídio, e profissionais especialistas em investigar suicídios foram enviados para a instalação para determinar exatamente como Epstein morreu, de acordo com uma pessoa familiarizada com o assunto.

Críticos do departamento disseram que a morte de Epstein, combinada com outros fracassos de segurança, como o assassinato de James "Whitey" Bulger em uma prisão da Virgínia Ocidental no ano passado, deve estimular reformas dentro do sistema federal de prisões, afetado por um congelamento de contratação no início da administração Trump.

Esse congelamento já foi suspenso, mas autoridades sindicais dizem que o presídio onde Epstain morreu e muitas outras instalações estão sofrendo com os efeitos de longo prazo de não ter funcionários suficientes para operar de forma eficaz.

Em um discurso na semana passada, Barr criticou o que ele chamou de "fracasso" do pessoal do presídio para manter Epstein seguro. Falando aos policiais em New Orleans, Barr disse que "ficou chocado ... e, francamente, com raiva" ao saber do aparente suicídio de Epstein. "Agora estamos aprendendo sobre graves irregularidades nesta instalação que são profundamente preocupantes e exigem uma investigação completa", disse ele.

Na sexta-feira, o resultado da autópsia concluiu que Epstein morreu como resultado de suicídio por enforcamento.

O homem de 66 anos foi encontrado em sua cela na manhã de 10 de agosto. Um funcionário disse que ele se enforcou com um lençol preso ao topo de um beliche. Ele foi levado às pressas para um hospital próximo, onde foi declarado morto.

Os advogados de Epstein disseram que não aceitaram as descobertas do médico-legista e disseram que conduziriam sua "investigação independente e completa sobre as circunstâncias e a causa da morte de Epstein. Os advogados, Martin Weinberg, Reid Weingarten e Michael Miller disseram estar se preparando para processar o governo para ter acesso a qualquer vídeo de segurança do momento de sua morte.

Epstein foi mantido no centro de detenção em Manhattan desde sua prisão em 6 de julho por acusações de tráfico sexual. Ele foi acusado de abusar de várias adolescentes durante vários anos no início dos anos 2000 e se declarou inocente.

O FBI e o inspetor-geral do Departamento de Justiça estão investigando supostos erros cometidos pelo pessoal do Departamento de Prisões que possam ter contribuído para a morte de Epstein. Fontes familiarizadas com as investigações disseram que Epstein foi deixado sozinho em uma cela e os guardas não o checaram por várias horas antes de sua morte, depois que oficiais deram instruções explícitas para que ele não fosse deixado sozinho e para que os guardas o verificassem a cada 30 minutos.

Essas determinações foram adotadas após uma aparente tentativa de suicídio em 23 de julho, embora os detalhes desse incidente ainda estejam sob investigação. Após esse episódio, policiais o colocaram em alerta por cerca de uma semana antes de devolvê-lo à unidade especial onde prisioneiros recebem mais vigilância.

Menos de duas semanas depois, ele estava morto, levando a uma grande especulação nos EUA. O presidente Donald Trump fez insinuações sobre pessoas que possam ter querido prejudicar Epstein. Entre os amigos famosos do multimilionário estavam o próprio presidente Trump, o ex-presidente Bill Clinton e o príncipe britâncio Andrew que teve imagens suas dentro da mansão de Epstein publicadas ontem pelo o tabloide britânico Daily Mail. / W. POST 

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