Após ação, caos toma conta dos hospitais

Em Gaza, feridos lotam centros médicos; em Israel, pacientes são transferidos para bunkers

AP e Efe, Gaza, O Estadao de S.Paulo

29 de dezembro de 2008 | 00h00

Impregnado pelo odor de sangue e pólvora, o Hospital Shifa, na populosa Cidade de Gaza, foi tomado desde sábado por uma multidão de feridos dos bombardeios israelenses. Em um de seus corredores apinhados, Mohamed al-Ashi via calado o corpo sem vida de seu irmão, Farsi, que trabalhava na divisão de explosivos do grupo fundamentalista Hamas, ser levado em uma maca por colegas da facção, sob os gritos de "Alá é grande!"."Peço a Alá paciência e força. Que Alá bendiga o espírito do melhor homem de minha família", balbuciava Mohamed.E o Hospital Shifa não era exceção em Gaza. "Os hospitais estão abarrotados e não conseguem administrar o número de feridos e o tipo de ferimentos - e cada vez mais necessitados estão chegando", declarou Marianne Robyn Whittington, da Cruz Vermelha Internacional."Todos os hospitais da Faixa de Gaza estão em estado de emergência, recebendo corpos de pessoas atingidas pelos mísseis. As instalações médicas carecem de pessoal e equipamento", admite o chefe do serviço de emergência de Gaza, Moawiya Hasanein. Segundo o médico, quase 120 feridos estão em estado crítico.Do outro lado da fronteira, o maior hospital da região sul de Israel, o Barzilai, na cidade de Ashkelon, transferiu seus centros de internação para abrigos antibomba. Os pacientes que não foram reinstalados no subsolo passaram a ocupar as salas antes utilizadas como depósitos, mais protegidas.Longe de exagerada, a medida busca evitar que foguetes lançados a partir de Gaza, a apenas 17 quilômetros, atinjam suas instalações. Foi isso que aconteceu em fevereiro, quando um foguete kassam acertou o prédio em cheio. Desde a nova onda de ataques, mais de 20 atingiram Ashkelon e seus arredores, onde vivem 120 mil pessoas."Numa cidade como Ashkelon, um foguete é o suficiente para criar um cenário de vários feridos", disse o médico Ron Lobel. "Nos preparando para algo assim." Em momentos de conflito, como agora, o Hospital Barzilai só atende casos de emergência. Estabilizados, os pacientes são transferidos para hospitais na região central de Israel.

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