Justin Lane/Efe
Justin Lane/Efe

Após aceno de Obama à conciliação, oposição admite ceder em pacto fiscal

Presidente republicano da Câmara dos Deputados deixa claro que partido deve ouvir mensagem das urnas e não descarta a possibilidade de aceitar medidas que incluam aumento de impostos para reduzir déficit; acordo tem de sair até 31 de dezembro

Gustavo Chacra / CORRESPONDENTE / NOVA YORK,

08 de novembro de 2012 | 22h54

NOVA YORK - Dois dias após a eleição e com o presidente Barack Obama ainda descansando, a Casa Branca e os republicanos deram sinais de conciliação para iniciar as negociações sobre o chamado "abismo fiscal", termo usado para designar o risco de impasse no Congresso sobre cortes de gastos e o fim de isenções fiscais, que devem enxugar US$ 600 bilhões da economia. O tema deve dominar a agenda política dos EUA até o fim do ano.

Ao longo do dia de ontem, o governo Obama e membros do Partido Democrata reagiram com otimismo à declaração do presidente da Câmara dos Deputados, o republicano John Boehner, que na quarta-feira defendeu o diálogo entre os dois lados para atingirem um ponto de equilíbrio, deixando claro ainda que reconhece o recado das urnas com a vitória de Obama e admitindo até mesmo um aumentos nos impostos, embora sem detalhar quais.

Até agora, os republicanos apoiavam a redução no déficit apenas por meio do corte nos gastos, sem aumento nas alíquotas de imposto. "Eu fiquei muito sensibilizado com o tom apresentado pelo presidente da Câmara, Boehner. Ele basicamente disse estar disposto a discutir o lado da arrecadação de impostos, algo que muitos de seu partido discordam. Também afirmou que o presidente venceu a eleição e deve nos liderar", afirmou o senador democrata Charles Schumer, de Nova York.

David Axelrod, principal estrategista político democrata, afirmou que "todos devem ler os resultados e entender que o voto foi para uma cooperação. É preciso estar com a cabeça aberta", disse.

A Casa Branca afirmou que Obama conversou com Boehner e outros membros do Congresso desde a sua vitória nas eleições, em busca de um acordo para evitar o abismo fiscal. "O presidente reiterou seu compromisso em busca de soluções bipartidárias, por meio da redução do déficit de uma forma balanceada, com cortes para a classe média e os pequenos negócios", relata a presidência, por meio de um comunicado.

O presidente tem maioria no Senado, mas os republicanos ainda controlam a Câmara. Os dois lados têm até 31 de dezembro para chegar a um acordo e evitar o abismo fiscal. Caso contrário, a redução nos impostos para toda a população e também para empresas, além de uma drástica redução nos gastos, serão implementadas imediatamente. Na Ásia, as bolsas fecharam com quedas acentuadas, o que já havia ocorrido nos EUA na quarta-feira.

Programas educacionais, de saúde e militares do governo serão imediatamente afetados. Economistas de diferentes correntes ideológicas preveem uma recessão se isso ocorrer.

Para os democratas, é necessário um acordo para reduzir os gastos e a manutenção na redução dos impostos apenas para os que recebem menos de US$ 250 mil por ano. Os republicanos defendem cortes ainda mais fortes e são a favor da manutenção na redução nos impostos para todos os americanos, independentemente da faixa de renda.

A declaração de Boehner de quarta-feira foi uma mudança no posicionamento dos opositores, embora ainda não tenha sido apoiada por outras figuras importantes do partido, como o deputado Paul Ryan, candidato a vice na derrotada chapa de Mitt Romney. As agências de risco, como a Moody’s, ameaçam reduzir a nota dos EUA caso não haja um acordo para evitar o abismo fiscal antes de 31 de dezembro.

 

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