Após acordo, barricadas são retiradas em Beirute

Fim de conflito político que durava 18 meses traz clima de calma à capital, que teve a parte oeste tomada pelos extremistas do Hezbollah

AP, WP e Reuters , Beirute, O Estadao de S.Paulo

23 de maio de 2008 | 00h00

Um dia após o acordo que pôs fim a 18 meses de conflito político no Líbano, membros do grupo xiita radical Hezbollah começaram a desmontar os acampamentos instalados há um ano no centro de Beirute. Ao mesmo tempo, num sinal de que a relativa tranqüilidade começa a voltar ao país, policiais removeram barricadas na cidade.Na recente onda de violência, que deixou 82 mortos e pelo menos 250 feridos, militantes do Hezbollah tinham tomado a parte oeste da capital libanesa. Ainda como conseqüência do acordo, o presidente do Parlamento libanês, Nabi Berri, anunciou oficialmente que a escolha do comandante do Exército, general Michel Suleiman, como novo presidente do país ocorrerá no domingo.O acordo de Doha foi firmado após seis dias de negociações e intensa mediação da Liga Árabe. O pacto estabelece a eleição de Suleiman, a votação de novas leis eleitorais - que vigorarão para a eleição parlamentar de 2009 - e a formação de um novo governo de unidade nacional no qual a oposição liderada pelo Hezbollah terá garantido o poder de veto.Os principais líderes libaneses afirmam que os dois lados cederam e o Líbano saiu mais forte da crise.Analistas, porém, enxergam no acordo fechado no Catar uma vitória da oposição, já que a maioria de suas exigências foi atendida, principalmente a prerrogativa de veto no futuro governo. Entre os pontos mais sensíveis das negociações estava o desarmamento do Hezbollah. Pelo acordo, os líderes libaneses prometeram não recorrer à violência, deixando para o novo presidente a tarefa de discutir com o grupo radical xiita a questão do desarmamento. Por isso, muitos especialistas consideram o pacto mais uma trégua de curta duração do que um acordo definitivo para a estabilidade do país.O Fundo Monetário International (FMI), porém, disse ontem que, graças ao pacto, a economia libanesa deve crescer mais do que os 3% previstos pela organização para este ano.Os confrontos se intensificaram duas semanas atrás, quando o premiê Fuad Siniora anunciou várias medidas contra o grupo. A primeira foi a demissão do chefe de segurança do aeroporto de Beirute, acusado de instalar câmeras de vídeo a pedido do grupo. A segunda foi a decisão do governo de banir a rede de telecomunicações do Hezbollah.

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