AP Photo/Yorgos Karahalis)
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Após acordo com a UE, Turquia prende 1,3 mil imigrantes

No domingo, o primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, fechou um acordo com líderes da UE para impedir que imigrantes viajem para a Europa em troca de uma ajuda em dinheiro de € 3 bilhões, um acordo sobre vistos e novas conversas sobre adesão ao bloco de

O Estado de S. Paulo

30 de novembro de 2015 | 16h27

AYVACIK, Turquia - Algumas horas depois de acertar um acordo bilionário com a União Europeia para ajudar a conter a onda de imigrantes que passa por seu território rumo às nações do continente, a Turquia deteve nesta segunda-feira, 30, 1,3 mil imigrantes que planejavam navegar até a Grécia. Eles estavam escondidos em esconderijos em florestas perto de praias isoladas do Mar Egeu. 

Forças turcas detiveram centenas de cidadãos sírios, iraquianos, iranianos e afegãos, além de três traficantes de pessoas, perto da cidade de Ayvacik, na Província de Canakkale, disseram autoridades da guarda costeira à agência ReutersNa maior operação do tipo nos últimos meses, os imigrantes foram enviados a um centro de repatriação, onde alguns podem enfrentar processo de deportação, segundo as autoridades.

No domingo, o primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, fechou um acordo com líderes da UE para impedir que imigrantes viajem para a Europa em troca de uma ajuda em dinheiro de € 3 bilhões, um acordo sobre vistos e novas conversas sobre adesão ao bloco de 28 países.

Um recorde de 500 mil pessoas deixaram a Síria este ano fugindo da guerra civil no país que já dura quatro anos viajando pela Turquia e arriscando suas vidas em embarcações precárias na tentativa de chegar à Grécia, a primeira parada antes de viajar para o norte da Europa. 

Cerca de 600 pessoas morreram na chamada rota leste-Mediterrâneo, de acordo com a Organização Internacional de Migração. A Turquia já recebeu cerca de 2 milhões de refugiados, assim como milhares de pessoas que fugiam dos conflitos do Iraque e do Afeganistão. / REUTERS  

Para entender
A UE e a adesão dos turcos

Ancara fez pela primeira vez um pedido formal de adesão à União Europeia (UE) em 1987, mas só em 2004 os diplomatas em Bruxelas deram sinal verde para as negociações. Desde então, o diálogo se arrasta. Nos últimos anos, o governo turco, liderado pelo presidente Recep Tayyip Erdogan, chegou a desistir da reivindicação e voltou sua atenção para outras parcerias, especialmente no Oriente Médio e na Ásia. A Alemanha e a França sempre foram os maiores obstáculos à entrada da Turquia na UE. Agora, no entanto, parece que o maior entrave é o Chipre, que tem usado frequentemente o seu poder de veto para barrar a discussão. A Turquia invadiu o norte da ilha em 1974 em resposta a um golpe de Estado apoiado pela então ditadura grega. A região permanece ocupada desde então.

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