Brendan Mcdermid/Reuters
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Após acordo com Israel, Irã prevê 'futuro perigoso' para governo dos Emirados Árabes

Os Emirados Árabes foram o primeiro país do Golfo a fazer isso e apenas a terceira nação árabe a normalizar relações com Israel, inimigo regional do Irã

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2020 | 11h06

Teerã - A Guarda Revolucionária do Irã afirmou neste sábado, 15, que pode haver consequências perigosas para os Emirados Árabes Unidos, após este país anunciar um acordo histórico com Israel para estabelecer relações diplomáticas.

Os Emirados Árabes foram o primeiro país do Golfo a fazer isso e apenas a terceira nação árabe a normalizar relações com Israel, inimigo regional do Irã.

A Guarda Revolucionária qualificou o acordo como "vergonhoso" e uma "ação maligna" apoiada pelos Estados Unidos, segundo comunicado do grupo. Ela advertiu que, com o pacto, aumentará a influência americana no Oriente Médio, o que levará a um "futuro perigoso" para o governo dos Emirados Árabes.

O presidente iraniano, Hassan Rouhani, também condenou o que chamou de traição do Estado do Golfo. Em discurso televisionado neste sábado, ele advertiu os Emirados Árabes  de que cometeram um "grande erro".

Acordo histórico

Na última quinta-feira, 13, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que Israel estabelecerá “a normalização total das relações” com os Emirados Árabes Unidos e renunciará, por enquanto, aos planos de anexar o território ocupado da Cisjordânia para se concentrar em melhorar seus laços com o resto do mundo árabe.

Os Emirados Árabes qualificaram a decisão como meio de encorajar os esforços de paz e impedir a anexação de partes da Cisjordânia por Israel. Por outro lado, o premiê israelense, e Benjamin Netanyahu, disse que a pausa na anexação era apenas "temporária". 



Aproximação e Anexação do Vale do Jordão

Israel vinha tentando se aproximar de vários países do Golfo, incluindo uma cooperação com os Emirados Árabes Unidos por causa da pandemia do coronavírus. 

Netanyahu declarou no ano passado que Israel já não era considerado inimigo pela maioria dos países árabes, mas sim “como um aliado” indispensável contra o Irã.​ A notícia é surpreendente, apesar de vários sinais de aproximação (um avião da Emirates com ajuda para o combate à covid-19 aterrissou em Tel Aviv, em maio, e Netanyahu visitou Omã pela primeira vez no começo do ano). 

Este é apenas o terceiro acordo diplomático árabe-israelense desde a declaração de independência de Israel em 1948. O Egito assinou um em 1979 e a Jordânia em 1994./COM AGÊNCIAS 

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