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Após acordo, Coreia do Norte ameaça Seul com 'guerra santa'

Sul-coreanos aguardam detalhes do acordo e dizem que, em longo prazo, terão de participar do processo de paz

Lisandra Paraguassu ENVIADA ESPECIAL / SEUL,

02 de março de 2012 | 21h13

SEUL - Um dia depois do acordo com os Estados Unidos para restringir seu programa nuclear em troca de ajuda alimentar, a Coreia do Norte ameaçou a Coreia do Sul com uma "guerra santa" contra aqueles que "difamam ou insultam" Pyongyang e seus líderes.

 

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Em conversa ontem com jornalistas estrangeiros reunidos em Seul, um alto diplomata sul-coreano, diretamente ligado às negociações, disse que a estratégia norte-coreana é tentar criar um afastamento entre Seul e Washington. Para ele, no entanto, apesar de o acordo ter sido feito apenas pelos americanos, a relação entre Seul e Washington é tão próxima que o pacto "de certa maneira é também um acordo com Seul".

A retórica agressiva de ontem indica que, apesar de os americanos terem exigido uma normalização das relações com a Coreia do Sul como condição para continuar negociando, os norte-coreanos acreditam que não precisam conversar com o inimigo, ao menos por enquanto.

A presença de Seul na mesa de negociações não foi exigida no acordo fechado entre americanos e norte coreanos. Ainda assim, Seul acredita que uma porta foi aberta para que seja retomado o diálogo dentro do chamado Grupo dos Seis - que inclui, além das duas Coreias, China, EUA, Japão e Rússia. Em longo prazo, qualquer acordo com Pyongyang terá de passar pelos sul-coreanos. "Primeiro, Seul e Washington trabalham juntos. Depois, quem pode oferecer a cooperação econômica e os investimentos que eles precisam? Apenas a Coreia do Sul. Acredito que eles saibam disso", afirmou um representante sul-coreano.

Mesmo com a aposta em um futuro de relações não tão gélidas, a impressão dos sul-coreanos é de um acordo "moderado". Importante, porque não havia conversas significativas com o Grupo dos Seis desde 2008, mas moderado porque há muito ceticismo sobre as reais intenções norte-coreanas. "Nós consideramos bem-vindo o acordo, mas acreditamos que a implementação dele é o mais importante", afirmou Lim Sung-nam, negociador sul-coreano.

 
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