REUTERS/Albert Gea
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Após acordo em data limite, Parlamento catalão escolhe novo presidente regional

Carles Puigdemont foi eleito líder regional no domingo com 70 votos a favor e 63 contra, evitando a necessidade de convocação de nova votação após Artur Mas, seu antecessor, desistir da disputa

O Estado de S. Paulo

11 Janeiro 2016 | 10h57

BARCELONA, ESPANHA - O Parlamento da Catalunha escolheu no domingo Carles Puigdemont como presidente regional com o apoio dos partidos que impulsionam o processo de defensa da soberania, e ele advertiu que fará de tudo para conseguir a independência dessa região espanhola.

Puigdemont foi eleito presidente com maioria absoluta graças a 70 votos a favor - 62 da coalizão Junts Pel Sí (JxSí) e 8 do partido de esquerda radical CUP -, apesar do voto contra dos 63 deputados das demais legendas que compõem o parlamento regional - Ciudadanos (liberais centristas), PSC (socialistas), Si que es Pot (esquerda) e PP (centro-direita). Dois dos deputados do partido de esquerda radical CUP se abstiveram.

"Tenho plena consciência de que estamos começando um priocesso que está longe de ser fácil e confortável, mas colocaremos todos nossos valores e nossa coragem nele", disse Puigdemont. "Esta não é uma época para covardes, nem para temeridade ou renúncias."

A posse de Puigdemont foi possível no domingo, a duas horas de expirar o prazo para que automaticamente se convocassem um novo pleito, graças à renúncia de Artur Mas, anterior presidente regional, e a um acordo na última hora assinado no sábado entre Junts Pel Sí e CUP.

A coalizão JxSí - formada por legendas políticas heterogêneas - foi a lista mais votada nas eleições regionais, mas precisava dos votos da CUP para eleger seu candidato e prosseguir com seu Plano de Desligamento da Espanha.

Puigdemont pediu perdão aos cidadãos pelas tensas negociações, e comemorou o acordo fechado, já que garante a estabilidade de um novo Executivo regional que começará a caminhar "à luz" da declaração de ruptura aprovada em novembro - que posteriormente o Tribunal Constitucional anulou - e que iniciará "o processo para constituir um Estado independente na Catalunha".

O programa de governo apresentado no domingo por Puigdemont em sua posse é descolado do que Mas apresentou em um plano fracassado de alguns meses atrás, e contempla a criação de uma "Fazenda própria" catalã, "um Banco Central da Catalunha" e inclusive "alfândegas".

Os porta-vozes dos partidos na oposição recriminaram o fato de o novo chefe do Executivo catalão ser o encarregado de um "projeto ilegal", como declarou o líder do Ciudadanos Inés Arrimadas, enquanto o socialista Miquel Iceta alfinetou Puigdemont: "Não à independência, à ilegalidade e a sua posse".

O acordo fechado no sábado compromete a CUP a "não votar em nenhum caso no mesmo sentido que os grupos parlamentares contrários ao processo" defensor da soberania ou ao direito a decidir quando a estabilidade do governo regional "estiver em risco".

Para assegurar este ponto, dois dos dez deputados da CUP se incorporarão à dinâmica do grupo parlamentar da Junts pel Sí "de maneira estável".

Em resposta à posse, o premiê espanhol interino, Mariano Rajoy, fez um pronunciamento para prometer que cumpriria com sua obrigação de zelar pela lei e pela Constituição perante o desafio defensor da soberania, e advertiu que "não deixará passar nada" de Puigdemont contra a unidade da Espanha nem lhe permitirá que "se atribua poderes ilimitados".

"Temos mais instrumentos do que nunca para defender nossa unidade, as principais forças políticas estão de acordo com isso", disse Rajoy que recebeu o apoio do líder da oposição, o socialista Pedro Sánchez, e o do Ciudadanos, Albert Rivera, que lidera a quarta maior força política no Congresso.

Rajoy advertiu aos partidos nacionalistas que o Estado "funciona sempre" e a democracia "tem sempre a mesma validade", embora o governo "seja interino", acrescentou.

Este novo capítulo da queda de braço de defensa da soberania avivou o debate nacional sobre a formação de um novo Executivo espanhol, onde a questão catalã é uma das "linhas vermelhas" perante os possíveis pactos para formar governo, em um cenário marcado pela incerteza e sem maiorias parlamentares.

O capítulo aberto neste domingo na Catalunha dificulta por outro lado os planos dos socialistas, que querem imitar o governo português e propõem formar um Executivo de "grande coalizão" de forças progressistas com forças como o Podemos, que é a favor de uma consulta vinculativa sobre a independência da região, e partidos nacionalistas. / EFE, AFP, AP e NYT

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