Amir Cohen / Reuters
Amir Cohen / Reuters

Pesquisa indica vitória de Netanyahu em eleição antecipada para abril

Coalizão de premiê dissolveu o Parlamento e convocou novas eleições após partidos não conseguirem chegar a um acordo sobre lei que obriga judeus ultraortodoxos a se alistarem no Exército

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de dezembro de 2018 | 10h55
Atualizado 25 de dezembro de 2018 | 19h56

TEL-AVIV, ISRAEL -  O premiê israelense, Binyamin Netanyahu (foto), é o favorito para vencer a eleição parlamentar antecipada para 9 de abril, em Israel. De acordo com levantamento publicado pelo jornal Maariv, o partido Likud, do primeiro-ministro, conquistaria 30 dos 120 assentos no Congresso.

Com esta votação, ele poderia formar com tranquilidade uma coalizão de direita semelhante à atual, chegando a 63 cadeiras. Netanyahu está em seu quarto mandato e enfrenta uma série de denúncias de corrupção que não comprometeram sua popularidade. A polícia recomendou o indiciamento do premiê e a oposição pressiona para que isso seja feito antes de abril, o que poderia mudar o cenário eleitoral.

Os líderes dos partidos da coalizão governista em Israel chegaram a um acordo para dissolver o Parlamento e novas eleições gerais foram marcadas para abril de 2019, manobra que colocava em xeque o futuro do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu. O acordo foi fechado nesta segunda-feira, 24, após a coalizão fracassar em conseguir apoio para aprovar a legislação que convoca judeus ultraortodoxos para o serviço militar.

Netanyahu, há 10 anos no poder, deve concorrer ao quarto mandato consecutivo e é favorito, segundo as pesquisas. Seu mandato acabaria em novembro do ano que vem. “A coalizão atual representa o coração da próxima. Pediremos um mandato claro aos eleitores, para continuarmos dirigindo o país com nossa política”, disse o premiê, na primeira reação ao anúncio. A imprensa israelense diz que a nova votação será 9 de abril.

A coalizão de Netanyahu enfrenta problemas desde a explosão da crise de segurança com Gaza e se agravou em novembro, com a renúncia do ministro da Defesa Avigdor Lieberman - que retirou seu partido, o Yisrael Beiteinu, da coalizão após o premiê concordar em estabelecer uma trégua com o Hamas. Lieberman justificou a decisão afirmando que Netanyahu mostrou fraqueza ao não lançar uma operação de grande envergadura contra o grupo que controla a Faixa de Gaza. Desde então, o governo possui maioria de apenas um assento dos 120 no Knesset, o Parlamento. 

Após a renúncia de Lieberman, o ministro da Educação ultranacionalista Naftali Bennett ameaçou retirar seu partido, o nacionalista Lar Judeu, do governo se não pudesse assumir a Defesa. Mas Bennett foi forçado a recuar depois que Netanyahu disse estar determinado a se manter no importante posto de segurança.

Uma declaração oficial do partido Likud, do primeiro-ministro, disse que “as responsabilidades nacionais e orçamentárias” obrigaram os líderes dos partidos da coalizão a “dissolver o Knesset”. Mas a decisão parece estar ligada à mudança na legislação sobre a obrigatoriedade do serviço militar para os judeus ultraortodoxos das Yeshiva (escolas religiosas). 

Yair Lapid, chefe do partido de oposição Yesh Atid, afirmou que não apoiaria a legislação alegando que ela não era suficiente.

Enquanto todos os judeus israelenses são obrigados a servir nas Forças Armadas ao completar 18 anos, aqueles que estudam a Torá em Yeshivas reconhecidas recebem isenção. 

A escassez de mão de obra nos últimos anos e a crescente demanda por igualdade forçaram o governo a reavaliar o assunto e a elaborar uma nova legislação que isentaria apenas os principais estudantes religiosos do serviço obrigatório.

O governo de Netanyahu não consegue fazer o Parlamento votar a legislação, então a Suprema Corte fixou o prazo de 15 de janeiro para a votação.

Lieberman, de quem a coalizão governista esperava receber apoio, apesar de sua renúncia, disse que a lei em seu formato atual foi “esvaziada de conteúdo” depois que acordos foram feitos entre o Likud e os partidos ultraortodoxos.

Além dessa crise, Netanyahu também corre o risco de ser acusado de corrupção em três casos, após uma recomendação da polícia. Analistas dizem que a convocação da eleição antecipada pode ser justamente uma forma de ele demonstrar força, em caso de vitória, ao procurador-geral, Avichai Mandelblit. 

Ainda que seja acusado, o premiê - com boa popularidade - não tem a obrigação legal de renunciar, apenas se for condenado e suas apelações forem rejeitadas. Nenhum governo nos últimos 30 anos concluiu seu mandato. / AFP, W. POST e NYT

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