Após acordo, sem-teto deixam parque de Buenos Aires

Um grupo de sem-teto que estava construindo abrigos num parque público de Buenos Aires deixou o local hoje depois de o governo argentino ter concordado em incluir seus integrantes num programa de moradia para os mais pobres. Cerca de seis mil pessoas haviam ocupado o segundo maior parque da capital da Argentina, demarcando lotes e ameaçando criar uma nova favela, a menos que o governo concordasse com suas exigências de concessão de subsídios habitacionais ou terras.

AE, Agência Estado

15 de dezembro de 2010 | 13h25

Três pessoas morreram e dezenas ficaram feridas em choques com vizinhos do local, que tentaram expulsá-los ateando fogo às barracas e gritando slogans racistas, o que aconteceu depois de a polícia ter se retirado e de os políticos não terem concordado sobre como lidar com a questão.

Longas reuniões no palácio presidencial entre o prefeito Mauricio Macri e o gabinete da presidente Cristina Kirchner finalmente resultaram num acordo pouco antes da meia-noite. Eles deram um ultimato ao grupo: aceitar a promessa de ser incluído num programa habitacional ou ser removido à força pela polícia.

"Alguns minutos atrás a última pessoa se retirou do Parque Indo-Americano", escreveu nesta manhã no Twitter o chefe de gabinete da presidência, Anibel Fernandez. Os sem-teto deixaram o local sem violência, após terem aceitado certificados que dizem que eles serão incluídos num programa habitacional subsidiado.

Entretanto, os governos municipal e federal impuseram limites aos benefícios aos sem-teto, afirmando que ninguém que tenha participado de uma ocupação ilegal de terra será incluído no programa. Afirmaram também que as moradias serão entregues primeiro aos mais necessitados e que os integrantes do grupo não terão prioridade em relação a outras pessoas já inscritas.

As autoridades disseram também que apenas pessoas que conseguirem provar dois anos de residência poderão participar do programa. Com mais de 500 mil pessoas necessitando de moradia somente na capital, a ideia de que imigrantes da Bolívia, Paraguai, Peru e de outros países poderiam se beneficiar da ajuda governamental é politicamente insustentável. As informações são da Associated Press.

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