Após acusações, Colômbia nega incursão militar na Venezuela

Presidente Hugo Chávez acusa Exército colombiano de invadir o país e ameaça suspender convênio energético

BBC Brasil, BBC

10 de agosto de 2009 | 06h57

O governo da Colômbia negou nesta segunda-feira, 10, ter feito uma incursão militar em território venezuelano, como acusou no domingo o presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Em seu programa semanal "Alô, Presidente", o presidente venezuelano afirmou que a rápida entrada no território vizinho teria sido realizada pelo rio Orinoco, que desagua no Oceano Atlântico no norte do continente sul-americano.

"Temos testemunhas. Em um campo do outro lado do rio Orinoco estão lançando provocações porque não se trata de uma patrulha de soldados que entrou por equívoco, como às vezes acontece. Estes soldados chegaram a cruzar o rio em uma lancha e fizeram uma incursão no território venezuelano", afirmou.

Mais tarde, a Chancelaria colombiana rejeitou as acusações de Chávez. "O Ministério da Defesa Nacional se comunicou com o comandante da Brigada 28 do Exército Nacional (...) que confirmou que essa informação não era verdade", afirmaram em um comunicado as autoridades diplomáticas de Bogotá.

As acusações vêm à tona em meio à tensão entre os dois países gerada pela aprovação à instalação de bases militares americanas na Colômbia, que paira sobre os delegados da cúpula da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), que se realiza a partir de hoje em Quito, no Equador.

O acordo militar piorou as relações diplomáticas entre Venezuela e Colômbia e despertou a desconfiança em outros países, entre eles o Brasil, sobre os verdadeiros motivos da operação.

No domingo, Chávez anunciou que suspenderá importações de determinados produtos colombianos, assim como um convênio pelo qual o governo venezuelano fornece petróleo a preços menores a algumas regiões colombianas. "Que se acabe já o fornecimento de combustível (subsidiado) à Colômbia", disse Chávez. "Que o comprem a preço de mercado. Como vamos estar favorecendo o governo de Uribe desta maneira?", completou. A medida, se levada a cabo, terá um impacto na economia colombiana, que recebe entre 50 mil e 120 mil barris de gasolina venezuelana mensalmente.

"Amo a Colômbia, mas os colombianos devem reclamar a seu governo que respeite a Venezuela e o seu povo", disse Chávez.

 

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