Andres Martinez Casares / Reuters
Andres Martinez Casares / Reuters

Após acusações, polícia do Chile nega uso de água tóxica para controlar protestos

Estudo aponta que amostras da água utilizada por carros de polícia continham gás pimenta e soda cáustica

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2019 | 08h21

SANTIAGO - A polícia do Chile negou na segunda-feira, 16, as informações de um relatório que indicava que os jatos de água lançados como ferramenta para controlar os protestos no país continham substâncias tóxicas. A corporação afirmou ainda que todos os materiais utilizados até agora “estão validados internacionalmente”.

“Sempre questionaram nossos métodos, que são métodos que o Estado colocou à disposição. E como sempre, e esta é a ocasião, vamos informar os componentes contidos”, disse o diretor geral da polícia militar chilena, Mario Rojas.

Um estudo do Movimento Saúde em Resistência (MSR) revelou na segunda-feira, com base em amostras da água utilizada pelos carros da polícia, que o líquido continha gás pimenta e soda cáustica, um elemento “altamente corrosivo”.

O relatório foi publicado após diversas organizações médicas alertarem que vários manifestantes deram entrada em diferentes hospitais com queimaduras na pele em razão da água.

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“O que utilizamos é o que está no mercado e é o que está validado internacionalmente”, insistiu Rojas.

Atuação da polícia questionada

Os policiais militares foram muito questionados por sua atuação durante os protestos iniciados em outubro e que pedem um modelo econômico mais justo. Diversos organismos internacionais, como a Anistia Internacional e a ONU, acusaram os agentes de cometer violações aos direitos humanos com relação aos manifestantes.

A crise, a mais grave desde o retorno do país à democracia em 1990, matou dezenas de pessoas e feriu milhares, entre elas mais de 300 tiveram lesões nos olhos por disparo de projéteis pelos agentes.

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A polícia suspendeu em meados de novembro o uso de balas como ferramenta antidistúrbio nas manifestações e reconheceu ter dúvidas sobre sua composição, apesar de, no início dos movimentos, alegar que tinham apenas borracha.

Apenas 20% de borracha

A Universidade do Chile divulgou dias antes um relatório apontando que os projéteis tinham cerca de 20% de borracha e 80% de sílica, sulfato de bário e chumbo, o que faz com que eles tenham a “dureza equivalente a uma roda de skate”.

O presidente chileno, Sebastián Piñera, reconheceu os abusos pontuais, mas negou que haja uma política sistematizada para atacar os manifestantes. Na segunda-feira, ele voltou a manifestar apoio ao diretor-geral da polícia militar do país.

“Acredito que o general Rojas, como disse ontem, fez tudo o que foi humanamente possível para cumprir com seu dever, para garantir que os protocolos sejam cumpridos e também para modernizar a instituição”, disse Piñera em uma entrevista a veículos locais. / EFE

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