AFP PHOTO / Emmanuel DUNAND
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Após acusações, Trump ordena investigação de vazamento de informações sobre atentado

Presidente americano afirma que divulgação de dados sobre ataque em Manchester representa uma ameaça séria à segurança; funcionário americano diz à CNN que Salman Abedi teria recebido treinamento do EI na Síria

O Estado de S.Paulo

25 Maio 2017 | 12h50

BRUXELAS - O presidente dos EUA, Donald Trump, ordenou nesta quinta-feira uma investigação sobre o “vazamento de informação sensível” por funcionários americanos sobre o atentado em Manchester, o mais mortífero no Reino Unido desde 2005. Foi uma resposta à cobrança pública da primeira-ministra britânica, Theresa May, sobre o fato de dados compartilhados com serviços de inteligência americanos terem chegado à imprensa. 

 Na quarta-feira, o New York Times publicou fotos de fragmentos de metal, da mochila e da bateria usados por Salman Abedi, terrorista de 22 anos que matou 22 pessoas na Manchester Arena após show da cantora americana Ariana Grande, na segunda-feira. Funcionários americanos também revelaram, na terça-feira, a identidade do terrorista e mais detalhes, irritando investigadores britânicos.

Um funcionário americano afirmou ontem à rede CNN que Salman provavelmente recebeu treinamento do Estado Islâmico quando viajou para a Síria antes do ataque. Segundo o funcionário, outros membros da família de Salman também foram radicalizados. A polícia da Líbia, que deteve um dos irmãos de Salman, Hashem, disse que ele estaria planejando um atentado. Hashem, que afirmou pertencer ao EI, “estava ciente do projeto” de seu irmão e admitiu ter estado no Reino Unido na fase de preparação do ataque.

O que confirmaria que Salman esteve na Síria é o fato de ele ter viajado da Turquia ao Reino Unido, com escala no aeroporto alemão de Dusseldorf, quatro dias antes do atentado. A Turquia costuma ser usada como rota de passagem para jihadistas que entram ou saem da Síria. Um dos motivos de Salman pode ter sido o desejo de vingança pela morte, em maio de 2016, de um amigo apunhalado por jovens britânicos, segundo um parente em Trípoli.

Trump reagiu com ameaças. “Pedi ao Departamento de Justiça e outras agências que façam uma ampla investigação sobre a questão e, se apropriado, o culpado será processado com todo o peso da lei”, disse. O presidente foi criticado pelos vazamentos em seu governo, a maioria revelando informações embaraçosas ou que o prejudicaram. 

 Autoridades britânicas qualificaram o vazamento como quebra de confiança. Londres interrompeu o compartilhamento de informações de inteligência com os EUA – os relatórios foram retomados algumas horas mais tarde, segundo Mark Rowley, diretor de contraterrorismo da polícia britânica.

 O New York Times defendeu nesta quinta-feira sua decisão de publicar evidências vinculadas com o atentado em Manchester, afirmando que sua cobertura foi responsável. O jornal tem sido o principal alvo dos ataques de Trump à imprensa e negou-se a revelar como obteve as imagens e informações exclusivas sobre a bomba. 

Ainda nesta quinta-feira, mais dois suspeitos foram presos em Manchester – entre eles, outro irmão de Salman. Uma mulher que estava detida sem acusação foi solta. Ao todo, oito suspeitos estão sob custódia no Reino Unido e um dos irmãos de Salman está preso na Líbia. A polícia anunciou que colocará pela primeira vez agentes armados dentro dos trens em razão da crescente ameaça terrorista.  / REUTERS e ASSOCIATED PRESS

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