Jessica Taylor/Various sources/AFP
Jessica Taylor/Various sources/AFP

Após aguentar anos de críticas por causa do Brexit, Theresa May agora está sorrindo 

Havia especulações de que ela se uniria ao contingente de conservadores rebeldes em plano contra Brexit sem acordo, mas, no fim, a ex-primeira-ministra votou com Boris Johnson

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de setembro de 2019 | 20h00

LONDRES - Durante a maior parte dos quase três anos nos quais Theresa May foi primeira-ministra do Reino Unido, ela foi o foco da ira do país pela frustração com sua incapacidade em conseguir que os magistrados aprovassem o acordo para o Brexit, com o qual ela havia perdido a paciência.

Nesta semana, como a maioria dos olhos voltados para seu sucessor, Boris Johnson, ela foi vista rindo nas bancadas da Câmara dos Comuns. Enquanto isso, em dois dias de derrotas para Johnson, o Reino Unido ganhou 100 mil novos eleitores.

Ninguém sabe ao certo a fonte da leveza de May, ou a de qualquer outro parlamentar, vistos rindo e se divertindo enquanto o drama se desenrolava, mas os acontecimentos estavam repletos de insultos e recriminações.

Na terça-feira, enquanto Johnson se atrapalhava no mesmo rumo por onde ela navegara antes, May foi vista olhando informalmente e sorrindo de vez em quando. Na quarta-feira, Johnson - um dos críticos mais barulhentos antes de substituí-la em julho - confrontou os parlamentares e ameaçou convocar uma eleição rápida.

Furiosos parlamentares da oposição e 21 membros do próprio Partido Conservador de Johnson se rebelaram contra sua abordagem do tipo “fazer ou morrer” ao Brexit, quando o prazo de 31 de outubro se aproxima. A facção rebelde dos conservadores, que tentava impedi-lo de tirar o país da União Europeia sem um acordo formal, votou para arrancar do governo o controle do Parlamento e votar na legislação para impedir sua mudança.

Havia especulações de que May se uniria ao contingente de conservadores rebeldes

May pode ser vista sorrindo discretamente ao lado de veteranos do Parlamento como Kenneth Clarke, na Câmara. Na quarta-feira, quando os legisladores lançaram perguntas e críticas sobre Johnson e sobre Sajid Javid, o chanceler, que apresentou sua revisão sobre gastos, May e Clarke visivelmente se divertiam.

Havia especulações de que May se uniria ao contingente de conservadores rebeldes que se alinharam com os parlamentares da oposição para defender a legislação destinada a impedir um Brexit sem acordo. Mas, no fim, a ex-primeira-ministra votou com Johnson.

Os 21 companheiros conservadores que se rebelaram contra o governo foram sumariamente expulsos do partido. Rory Stewart, o ex-ministro do Gabinete, disse à BBC sobre sua expulsão: “Veio por texto e marcou um momento um tanto quanto surpreendente”.

No início deste ano, May fracassou três vezes na tentativa de aprovar o acordo para o Brexit que havia negociado com Bruxelas, perante um Parlamento profundamente dividido. Mais tarde, ela apresentou sua demissão de olhos lacrimejantes diante dos jornalistas, no Número 10 da Downing Street. Os jornais britânicos a consideraram “frágil” e “acabada”.

Mas na noite de terça-feira, depois de um dos dias mais dramáticos que o Parlamento viu desde o início da saga do Brexit, May foi fotografada dirigindo para longe dos prédios do governo. E ela estava sorrindo. / THE NEW YORK TIMES

TRADUÇÃO DE CLAUDIA BOZZO 

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