Após ajudar os insurgentes, o que mais Putin quer?

ANÁLISE: Ishaan Tharoor / THE W. POST

O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2014 | 02h02

O cessar-fogo negociado em Minsk, capital da Bielo-Rússia, entre as forças ucranianas e os separatistas pró-Rússia entrou em vigor na sexta-feira da semana passada. Os combates se estenderam durante meses nas regiões de Donetsk e de Luhansk, polos industriais no leste ucraniano, perto da fronteira com a Rússia, provocando milhares de mortes. "A vida humana é o valor mais alto e devemos fazer todo o possível para deter o derramamento de sangue e pôr fim ao sofrimento", afirmou o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, em um documento.

Durante a crise, a Rússia foi acusada pelas autoridades de Kiev e do Ocidente de armar e ajudar os rebeldes. Na semana passada, a Organização do Atlântico Norte (Otan) apresentou imagens de satélite alegando que Moscou enviara suas forças para a Ucrânia.

Não se sabe exatamente quanto tempo o cessar-fogo durará. Mas durante a breve trégua, vale a pena notar que a Rússia está apresentando novos fatos. O presidente Vladimir Putin não faz segredo de seus sonhos de um país mais amplo, alimentados por uma nostalgia soviética que ganha adeptos entre os russos.

No início do ano, a Rússia anexou a Crimeia numa operação que envolveu forças paramilitares estacionadas com sua frota do Mar Negro. Em seguida, realizou um referendo que não teria nenhuma possibilidade de perder, considerando que a maioria da população da península é pró-Rússia.

A Crimeia anexou uma série de "áreas cinzentas" pós-soviéticas, espalhadas pela Europa, onde governos secessionistas locais se tornaram clientes de Moscou. A Abkhazia e a Ossétia do Sul, fortalecidas em suas ambições separatistas após a guerra da Georgia com a Rússia em 2008, existem independentemente da autoridade de Tbilisi. A Transdniéstria, uma república secessionista na fronteira ucraniana com a Moldávia, é exibida pela imprensa ocidental como o último resquício da União Soviética.

Se o território rebelde em Donetsk e Luhansk permanecer autônomo ou em mãos separatistas, esse será o ganho mais importante de Moscou. Elas constituem o centro industrial da Ucrânia e o elemento fundamental do mítico projeto da Novorossiya, visão imperialista russa dos seus domínios sobre o Mar Negro, datada do século 18.

A questão agora, contestam os críticos de Putin, é: o que ele ambicionará a seguir?

É JORNALISTA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.