Após anos sem reajuste, Cuba eleva preço da gasolina

As autoridades cubanas determinaram o aumento dos preços dos combustíveis e anunciaram a extensão para todo o país das permissões para que agricultores vendam seus produtos diretamente aos consumidores. As duas medidas foram publicadas hoje no jornal oficial Granma e são as últimas de uma série de iniciativas para a reorganização econômica, anunciadas pelo presidente Raúl Castro, em agosto, e apresentadas como uma "atualização do modelo".

AE-AP, Agência Estado

27 de setembro de 2010 | 15h47

O aumento do preço da gasolina ficou em torno de 10 centavos de dólar por litro e entrou em vigor hoje. A gasolina regular, passou de 1 peso convertível (US$ 1,08) para 1,10 pesos convertíveis (US$ 1,18) o litro. A gasolina mais cara, chamada de alta octanagem, passou para 1,60 pesos convertíveis (US$ 1,70).

Durante anos, o preço da gasolina se manteve estável, mas em meados dessa década foi informado que o valor não poderia permanecer sob subvenção do Estado e que seria reajustado segundo as variações do mercado mundial. "O preço internacional do petróleo neste ano e a perspectiva de elevação superam em 25% os preços de 2009, e isso pesa em nossa economia", diz uma reportagem do Granma. Cuba recebe cerca de 100 mil barris diários de petróleo da Venezuela.

A medida afeta apenas uma quantidade limitada de pessoas que têm carros particulares, pois a maioria dos veículos e o transporte público pertence ao Estado, que têm uma cota de combustível predeterminada. Entre os afetados pela medida estão os taxistas, que compram gasolina, mas não podem reajustar suas tarifas.

Táxi

No mês passado, o governo voltou a emitir licenças para taxistas particulares - suspensas durante anos - e na semana passada divulgou uma lista de funções que as pessoas poderão exercer por conta própria, com as quais o governo pretende impulsionar a economia.

O Granma também publicou alguns detalhes para a aquisição de autorizações para que agricultores ofereçam seus produtos em barracas em estradas. Segundo o diário, a permissão - anunciada no Diário Oficial há algumas semanas - abrangia apenas Santiago de Cuba e Guantánamo, mas agora se estenderá a todo o país. "Trata-se de ordenar um rio revolto", afirmou o jornal, ao lembrar que antigamente os que vendiam seus produtos nas ruas eram punidos.

Segundo as regras, os interessados em oferecer seus produtos devem fazer uma inscrição e pagar um imposto de 25% sobre seus lucros. De acordo com o Granma, o Ministério da Economia e Planificação vai avaliar, em outubro e novembro, o desenvolvimento da iniciativa e seu impacto no comércio. Castro afirmou que a "atualização" do modelo econômico cubano implica na abertura ao trabalho independente, mas não o abandono do modelo socialista.

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