Após anunciar governo de união, Hamas pede fim de bloqueio

O Hamas exortou o Ocidente a aceitar o novo governo de união nacional palestino anunciado na quinta-feira em Meca, na Arábia Saudita, e pediu que a comunidade internacional suspenda um boicote imposto contra o grupo no início do ano passado. Considerada terrorista por Estados Unidos, União Européia e Israel, a organização fundamentalista islâmica assumiu o governo palestino no início de 2006, e desde então vem sofrendo pressões para que renuncie a violência e anuncie explicitamente que aceita a existência do Estado judeu. Entre as medidas de pressão está o congelamento do repasse de verbas de ajuda humanitária e de impostos recolhidos junto à Autoridade Nacional Palestina (ANP).Mas, embora na quinta-feira tenha aceito a formação de um gabinete de coalizão com a facção laica Fatah, o Hamas anunciou nesta sexta que nunca reconhecerá a existência de Israel, e nem obedecerá os acordos de paz firmados no passado. O acordo entre os dois grupos rivais foi alcançado com o objetivo de dar legitimidade ao governo palestino - o que enfraqueceria o boicote -, assim como acabar com as disputas faccionais que deixaram dezenas de mortos nos últimos meses.Israel já manifestou-se dizendo que o acordo falhou em atingir as condições para o fim das sanções. Os Estados Unidos e a União Européia, por sua vez, evitaram comentar o plano."Concordamos com os sauditas (sobre a necessidade) em apresentar este acordo internacionalmente. Nossos irmãos (sauditas) estão em contato constante com os americanos e europeus e acredito que há a possibilidade de apresentarmos este acordo", disse à Reuters o porta-voz do governo do Hamas, Ghazi Hamad. "Eles (os ocidentais) não podem ignorar este acordo e impor suas próprias condições", disse ele em referência aos Estados Unidos. "A União Européia deveria abrir um diálogo com este novo governo, pois esta é a única maneira de estabilizar a região." Líder do Hamas na Faixa de Gaza, o palestino Nizar Rayyan parabenizou o acordo alcançado em Meca, mas disse que o Hamas irá evitar o pedido do presidente palestino, Mahmoud Abbas, do Fatah, para que o novo governo palestino aceite os acordo de paz assinados no passado."Nós nunca reconheceremos Israel. Não há nada chamado Israel, nem na realidade, nem na imaginação", disse ele à Reuters. Seus comentários foram endossados por um porta-voz do movimento. Não está claro, entretanto, se os líderes do grupo islâmico falavam em nome do Hamas ou expressavam suas próprias opiniões.

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