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Após anunciar morte do líder, Maduro recebe apoio da cúpula do Exército

Após 2 anos da luta de Chávez contra o câncer, 4 cirurgias e uma volta inesperada a Caracas, venezuelanos vivem o fim de uma era

AP e EFE,

05 de março de 2013 | 23h00

Morreu ontem aos 58 anos Hugo Rafael Chávez Frías, o homem que - de militar golpista a presidente bolivariano de quatro mandatos - transformou nas últimas décadas a Venezuela e, indiretamente, toda a América Latina. "Recebemos a informação mais dura e trágica que podemos transmitir ao nosso povo. Às 16h45 (18h15 em Brasília) do dia 5 de março faleceu nosso comandante Chávez", anunciou em cadeia nacional seu herdeiro político e vice-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. "Este é um momento de grande dor."

A era Chávez chega ao fim após quase dois anos de luta do presidente contra um câncer na região pélvica. O ideólogo do que chamava de "Socialismo do Século 21" foi submetido a quatro cirurgias em Cuba - a última, em dezembro -, além de sucessivas sessões de químio e radioterapia, até inesperadamente retornar a Caracas, no mês passado. A última aparição pública de Chávez tinha sido quase três meses atrás e, no dia 22, o governo venezuelano divulgou uma foto em que ele aparecia deitado sorridente, ao lado de suas filhas, segurando a edição do Granma daquele dia.

A Venezuela decretou sete dias de luto e anunciou que o enterro ocorrerá na sexta-feira, às 10 horas de Caracas. O local onde ficará a sepultura de Chávez, porém, não foi revelado. A presidente Dilma Rousseff, além de vários líderes latino-americanos, disseram ontem que participarão da cerimônia. "Essa morte deve encher de tristeza todos os latino-americanos", afirmou Dilma, descrevendo Chávez como "um amigo do Brasil" (mais informações nesta página).

Maduro anunciou a morte do presidente ao lado de integrantes da cúpula do governo e parentes de Chávez. Falando pausadamente, sem esconder a emoção, reforçou que a hierarquia no governo chavista seguirá intacta. "Chávez batalhou pelo amor do povo, com a bênção dos povos e a lealdade mais absoluta de seus companheiros", afirmou.

Pouco após o anúncio da morte do presidente, o ministro da Defesa da Venezuela, Diego Molero, apareceu ao vivo nas emissoras de TV e rádios estatais para dar garantias do "total respaldo" das Forças Armadas ao vice-presidente e ao líder da Assembleia Nacional, o também chavista Diosdado Cabello. "Vamos cumprir a Constituição para o bem da república", disse Molero.

O chanceler Elías Jaua anunciou que Maduro - apontado por Chávez como seu sucessor - assumirá a presidência e eleições serão convocadas em 30 dias, conforme exige a Constituição.

Maduro avisou que militares e forças da polícia nacional receberam ordens de sair às ruas para garantir a segurança. "Está prevista uma presença especial de todas as Forças Armadas e da polícia, que neste momento estão se deslocando para acompanhar e proteger o nosso povo."

Ontem pela manhã, tanques cercaram o Palácio Miraflores, onde, à tarde, o comando militar e político do governo se reuniu. Ao final do encontro, cerca de duas horas antes de comunicar a morte do chefe de Estado, Maduro anunciou em entrevista coletiva que Chávez vivia "suas horas mais difíceis" e "inimigos históricos" do líder bolivariano o haviam infectado com câncer.

"Nós não temos nenhuma dúvida de que chegará um momento na história em que se poderá formar uma comissão científica que revelará que Chávez foi atacado com essa doença", disse, comparando o caso de Chávez ao do histórico líder palestino Yasser Arafat, que - segundo Ramallah - teria sido envenenado por Israel. O próprio líder bolivariano havia sugerido que os EUA estavam "infectando" presidentes sul-americanos com câncer, incluindo os brasileiros Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma.

No mesmo pronunciamento, Maduro anunciou a expulsão do adido militar dos EUA. Segundo o vice-presidente, o americano David Delmonico procurara oficiais venezuelanos com o objetivo de "implementar projetos desestabilizadores" e, por isso, deveria abandonar definitivamente o país em até 24 horas. O número 2 da aditância militar americana em Caracas, Deblin Costal, também foi expulso.

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