JAVIER SORIANO / AFP
JAVIER SORIANO / AFP

Após ascensão meteórica na esquerda, Iglesias busca consolidação nas urnas

Líder do Podemos voltou à política neste ano com desafio de superar crise interna do partido criado por ele em 2014 para se manter como um das quatro maiores bancadas no Parlamento

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2019 | 11h01

MADRI - Pablo Iglesias, que há três anos era um nome emergente da esquerda na Espanha e pretendia superar o socialista PSOE com um novo partido, o Podemos, tentará nas eleições do próximo domingo, 28, após uma grande crise interna na legenda, ao menos mantê-la com uma das quatro maiores bancadas no Parlamento.

O político espanhol, cabeça de chapa da coalizão Unidas Podemos, enfrentou na última legislatura fortes tensões no partido que acabaram com a saída de alguns de seus principais nomes e que ajudaram a fundar a legenda.

Pablo Iglesias, de 40 anos, se reincorporou à política ativa em março após três meses de licença paternidade. Com o partido imerso em uma grave crise interna e pesquisas de intenção de votos desfavoráveis - que apontam que pode perder mais da metade das atuais 71 cadeiras no Parlamento -, o líder do Podemos assumiu os erros e se mostrou disposto a governar com o PSOE.

"Não se pode concordar com a imagem que demos e tenho que assumir a responsabilidade", admitiu Iglesias, que estabeleceu como objetivo integrar o próximo governo da Espanha.

A primeira tentativa nesse sentido aconteceu após a votação de dezembro de 2015, quando seu partido, com pouco mais de um ano de fundação, obteve 69 cadeiras das 350 que compõem o Congresso espanhol.

Foram meses de euforia para Iglesias, professor de Ciências Políticas da Universidade Complutense de Madri até 2014, que sonhava em se tornar o líder da esquerda espanhola, desbancando a tradicional legenda socialista.

No entanto, a desconfiança mútua impediu um acordo com o PSOE para a formação do governo - o próprio Iglesias se postulava como vice-premiê. Esse fracasso acabou forçando então a convocação de novas eleições.

Ao contrário do que esperavam Iglesias e seus correligionários, não houve aumento da base de eleitores na eleição de junho de 2016, enquanto o conservador Partido Popular (PP), na época governista, saiu fortalecido.

Isso causou tensões internas no Podemos, que tiveram como saldo a saída da direção de parte do grupo fundador do partido, enquanto Iglesias consolidou sua liderança com uma nova equipe.

No entanto, dois anos depois, Iglesias foi fundamental para que o socialista Pedro Sánchez se tornasse primeiro-ministro em junho de 2018, graças a seu apoio à moção de censura contra o conservador Mariano Rajoy.

Desde a militância comunista na juventude, passando pela participação no movimento social dos chamados "indignados" em 2011, em plena crise econômica, a carreira política de Pablo Iglesias não seguiu um caminho linear.

Cinco anos depois da fundação do Podemos, um político mais maduro e influenciado pela recente paternidade, que segundo suas palavras o fez se tornar "outra pessoa", enfrenta um novo desafio: enfrentar as pesquisas e conseguir resultados que permitam a seu partido ser relevante na formação de um governo de esquerda com o PSOE.

O que não mudou nestes anos foi sua imagem externa: continua usando rabo-de-cavalo, calças jeans e camisas com mangas dobradas, sem gravata, salvo em raras exceções. / EFE

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