Após assassinato de advogado, Saddam entra em greve de fome

O ex-presidente iraquiano Saddam Hussein e sete outros réus acusados de envolvimento na morte de 148 xiitas na cidade de Dujail, no Iraque, entraram em greve de fome nesta quarta-feira. A iniciativa é um protesto contra o assassinato de um dos advogados que formam a equipe de defesa dos réus. A informação foi divulgada pelo advogado chefe da equipe, Khalil al-Dulaimi. "O presidente Saddam e outros membros de sua liderança estão em greve de fome para protestar contra o assassinato de Khamis al-Obeidi", disse o advogado, que estava em visita à Jordânia.Obeidi era um dos principais advogados de defesa de Saddam. Ele foi morto a tiros nesta quarta-feira depois de ser seqüestrado em sua residência em Bagdá por homens vestidos em uniformes policiais. O corpo do advogado foi encontrado em uma rua próxima ao bairro xiita Sadr City, informou a polícia de Bagdá.Dulaimi culpou o ministério do Interior iraquiano pelo crime. Segundo os muçulmanos sunitas iraquianos, esquadrões da morte xiitas estão infiltrados na estrutura do ministério.O ministério do Interior não comentou a acusação.Ainda de acordo com Dulaimi, os grevistas não irão parar com o protesto até que a equipe de defesa de Saddam receba proteção internacional. Além de Obeidi, outros dois advogados da defesa já haviam sido mortos.Proteção internacionalEm uma nota à imprensa divulgada mais cedo nesta quarta-feira, a equipe de advogados de Saddam pediu "proteção internacional e uma investigação independente sobre os assassinatos de membros da defesa".No comunicado, os advogados pedem também o "cancelamento do julgamento" por considerarem que a corte sofre pela "falta de responsabilidade em prover segurança para aqueles que fazem parte dela, em especial os advogados e seus clientes"."Nós classificamos esse crime como uma mensagem à defesa: ´continuar com o que vocês estão fazendo resultará em morte à luz do dia nas ruas de Bagdá´", disse Mohammed Moneib, um advogado egípcio membro da equipe de Saddam.Dulaimi, chefe da equipe de defesa, acrescentou que o assassinato foi uma tentativa de intimidar os advogados de Saddam antes da apresentação de seus argumentos finais, no próximo dia 10.O promotor chefe do caso, Jaafar al-Moussawi, disse, por sua vez, que o julgamento não será cancelado."Nós derrotaremos o terrorismo", disse Moussawi. "Continuaremos com o julgamento", acrescentou, lembrando que os membros da defesa recusaram uma oferta para que se mudassem com suas famílias para a altamente protegida Zona Verde, sede do governo iraquiano e da embaixada americana.

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